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Crónicas

Serviço Público

[10-08-2009] | João Moreira de Sá
É talvez um detalhe e nem é Chantelle (mas eu agora escrevo isto em todas as crónicas? que coisa!) mas, afectos pessoais aparte, parece-me justa esta humilde homenagem aos profissionais que prestam o serviço público de qualidade de cuja falta ou ausência tanto nos queixamos. É que não é só TV.
Muitito se fala, por pouco que se chegue a dizer e menos a concluir, sobre serviço público de diotelevisão em Portugal e quase em exclusivo versando a segunda componente. Em termos de conversação pública a televisão ocupa 90% das preocupações colectivas, deixando uns, generosidade minha talvez, 10% para preocupações com o dito na rádio e desta, de cujo estado detém três estações, arrisco um quase exclusivo na Antena1.


Dispensa-se por óbvio e sabido comentar que "falar de" serviço público de radiotelevisão significa, entre nós, criticar pela negativa.

Será por isso natural que ainda que se critique o pouco espaço dado à cultura, nesta época em que por via dos festivais de verão que trazem a Portugal quase todas as bandas "de sempre" ou da moda do ano, espalham cultura - a música ainda é, não é? ou 'róques' não conta? - pelo país, nem uma referência tenha lido ou ouvido ao trabalho levado a cabo pela Antena3 na cobertura dos mesmos.

Sabe quem acompanha, o resultado que nos chega via frequência modelada ou internet. Não sabe quem não ouve por no género não ter interesse ou por outro qualquer igualmente justo motivo (a bem da pluralidade auditiva e radiofónica) mas conto eu pois como dizem os espanhóis naquelas expressões irritantes que até têm tradução mas perdem o significado, para eso aqui estamos.

A lista é longa e ainda não acabou: Festival Músicas do Mundo em Sines (em parceria com a Antena1), Optimus Alive em Lisboa (ou Oeiras? não googlarei a minha ignorância), Paredes de Coura na mesma, Sudoeste na Zambujeira do Mar, que está a decorrer. Segue-se já transmissão da actuação do DJ para multidões e ex-Housemartins Fatboy Slim no Autódromo de Portimão. Eu, que A) não posso, B) não quero ou C) não sabe/não responde ir a nenhum destes festivais pude ouvir no meu transitor concertos que vão ficar na memória, assim de repente e descontando o FMM de Sines onde a música é sempre boa mas os nomes dos músicos impossíveis de decorar, Franz Ferdinand, Jarvis Cocker, Mariza, Deolinda só para mencionar os inesquecíveis (nunca mais volto a criticar a Mariza, arrependo-me de tudo o que escrevi, estava a "interpreta-la" mal). Este é o meu serviço público e por isso não é descabido ser eu a louvá-lo e ainda que aqui neste meu humilde e escondido cantinho, fazer a menção ainda assim pública que colmate a ausência noutros locais.

Fim da crónica.
O que se segue é uma notazinha já mais em tom pessoal.

Curioso que até um concerto que não foi transmitido, o de Faith no More, na noite de sábado passado, ficou-me como se o tivesse ouvido, ainda que quando isto escrevo mais não saiba que começou com acordes de piano porque, se ouviu em som de fundo por momentos na emissão que a Antena3 estava a fazer em directo a partir do estúdio móvel que é montado (e desmontado, e remontado) no recinto de cada festival e para onde se deslocar equipas de profissionais, verdadeiros teams CSI da música que sob chuva, sol, vento, frio, calor, em condições necessariamente precárias de trabalho, alojamento, alimentação, para não mencionar uma quase ausência de horas de sono, em prejuízo de vidas familiares em pleno verão, deslocando-se em viaturas próprias - sim, e depois? peçam lá a um funcionário dos "valentes" de uma câmara municipal ou ministério para ir de Lisboa à Zambujeira do Mar no seu carrinho - nos trazem maratonas diárias de cobertura exaustiva, porque para além da transmissão dos concertos há entrevistas a fazer, cabos para passar, reportagens, negociações para as transmissões. E microfones ligados. E gente do outro lado a conversar, entre eles, conosco, comigo.

Por isso, e deixando de fora os nomes que não vierem à memória que a omissão involuntaria é também forma de homenagem, parabéns e obrigado a todos os que sob o alto comando do Chefe Mariño, a coordenação dos timoneiros Álvaro Costa, Gonçalo Castro, António Freitas (como escreveu alguém que lamento não conseguir creditar mas pelo menos não tomo por meu o que não é, quando se ouve "o Freitas" comentar - e elogiar - Mariza e Deolinda percebe-se o que significa profissionalismo, é já se acredita em tudo, acrescento eu), os/as incansáveis Raquel Bulha (que só a citar nomes de músicos do Mali que conhece é capaz de fazer parecer sabes falar o próprio idioma), Joana Dias (a profissional mais "humana" e simpática localizavel entre 88.0 e 108.8), Luís Oliveira (um homem que de tanta cultura musical - e não só - que tem na cabeça teve que tirar os cabelos para libertar espaço para mais), Catarina Limão (a única pessoa que consegue estar a entrevistar público com uma mão e a tirar fotografias fantásticas com a outra), Monica Mendes (que faz uma coisa fantástica. Não precisa de falar. Basta rir-se e ficamos bem dispostos). De quem é que me esqueci? De quem não me posso esquecer é de quem dá apoio a tudo isto, dos produtores, a enérgica Maria João Serra, os imprescindíveis técnicos de som de quem afinal tudo depende.
Obrigado por prestarem serviço público de qualidade.
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Comentários

Amigo João,
Antes de mais quero-te dizer que adorei toda a crónica e só uma pessoa humana como tu conseguiria descrever de forma tão maravilhosa o trabalho de uma Enorme Rádio com Grandes Pessoas, eu como tu tenho um grande carinho e admiração por todas as pessoas que trabalham na Antena 3 , Fazem um grande trabalho de comunicação, são tão humanos e proffisionais que por vezes sinto que estou ao lado deles numa amena cavaqueira :):):):)! mas também ao longo do pouco tempo que te conheço a minha admiração e carinho pelo teu trabalho e tua pessoa nao param de crescer, pois és unico em tudo que fazes, nunca pares de surpreender-me com teu fantastico trabalho e como pessoa :)!
Forte Abraço

César Gonçalves


[10-08-2009]  | César Gonçalves

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