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Queixoso Conselheiro
[28-11-2009] | António Eça de Queiroz
Veja-se bem isto: às 16h25 de ontem o potente Audi em que seguia foi abalroado por outro igualmente potente BMW, após travagem in-extremis do seu motorista. E assim terminou a desenfreada correria em que todos participavam no meio da baixa lisboeta. Basta olhar para a frente do BMW, provavelmente blindado, para perceber que bateu a mais de 80 Km/h... Na baixa? Àquela hora? Para quê? Perseguia o «polícia-dos-polícias» (como carinhosamente o trata a Comunicação Social) algum perigoso terrorista? Fora então informado minutos antes de que se preparava o assassínio de Sócrates, na tomada de posse dos seus comissários políticos regionais – vulgo governadores civis? Nada disso: o sr. Polícia-mor-da-segurança-interna ia tão só assistir à brilhante cerimónia de «estado», como qualquer cortesão de segunda o faria nos tempos do saudoso D. Carlos – para ser visto com o chefe, obviamente. É claro que Mário Mendes não se lembrou que com o seu comportamento à C.S.I. de pacotilha pôs em risco a vida de várias pessoas – e não apenas as que seguiam nos veículos governamentais. Naturalmente não se lembrou desse pormenor porque a sua pressurosa resposta à chamada do «chefe-dos-chefes» (está é minha) cantarolava bem mais alto na sua lista de prioridades como responsável máximo pela segurança interna do país... Mas ainda bem que o seu zelo e intrepidez o impediram de usar o indispensável (para o comum dos mortais) cinto-de-segurança. Queixoso como naturalmente se encontra agora (e daqui envio a minha simpatia formal), tão cedo não se esquecerá da amplitude da palavra que realmente dá brilho ao seu cargo: SEGURANÇA...
nota: os textos são da inteira responsabilidade do cronista

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