<?xml version="1.0" encoding="ISO-8859-1"?><rss version="0.91"><channel><title>PNETcrónicas</title><link>http://www.pnetcronicas.pt</link><description></description><language>pt-pt</language><item><title>Consumers Upset and Confused Over E-Book Pricing</title><link>http://www.pnetcronicas.pt/cronica.asp?id=5098</link><description><![CDATA[<img src=http://www.pnetcronicas.pt/imagens/2012518103346_28.JPG border=0><br/><br><br><i>By Jeremy Greenfield, Editorial Director, Digital Book World, <a href=&quot;http://twitter.com/#%21/JDGsaid&quot;>@JDGsaid</a></i></br><br>Publishers are making a killing on e-books because they cost nothing to produce, distribute and sell and are almost 100% pure profit. At least, that’s what many consumers think.</br><br>“E-books cost almost as much as printed books but are phenomenally cheaper to create,” said Trevor Doyle, 39, a teacher from Ione, Calif.</br><br>“There’s so much less cost involved – no material, relatively low distribution cost, no inventory costs, transportation,” said Michelle Barrineau, 42, a sales analyst from Ft. Lauderdale, Fla.</br><br>While consumers understand the basic costs involved in the bricks-and-mortar retail world, they don’t understand the costs involved in selling something that is, well, much, much smaller than a bread box.</br><br>Ler mais aqui: <a href=&quot;http://www.digitalbookworld.com/2012/consumers-upset-and-confused-over-e-book-pricing/&quot;>http://www.digitalbookworld.com/2012/consumers-upset-and-confused-over-e-book-pricing/</a></br></br>]]></description></item><item><title>Tertúlia de Ebooks - já online!</title><link>http://www.pnetcronicas.pt/cronica.asp?id=5095</link><description><![CDATA[<img src=http://www.pnetcronicas.pt/imagens/2012517192932_28.PNG border=0><br/><br><br />São muitos. Visite!<br /><br /><br /><br /><a href=&quot;http://resellers.euebooks.com/atertulia&quot;>http://resellers.euebooks.com/atertulia</a> <br /><br /><br /></br>]]></description></item><item><title>Um discurso feito pelo embaixador Guaicaípuro Cuatemoc, de ascendência indígena, sobre o pagamento da dívida externa do seu país, o México, embasbacou os principais chefes de Estado da Comunidade Europeia.</title><link>http://www.pnetcronicas.pt/cronica.asp?id=5097</link><description><![CDATA[<img src=http://www.pnetcronicas.pt/imagens/2012517215836_28.JPG border=0><br/><br>· A Conferência dos Chefes de Estado da União Europeia, Mercosul e Caribe, em Madrid, viveu um momento revelador e surpreendente: os Chefes de Estado europeus ouviram perplexos e calados um discurso irónico, cáustico e historicamente exacto. <br /><br />· Eis o discurso: <br /><br />· &quot;Aqui estou eu, descendente dos que povoaram a América há 40 mil anos, para encontrar os que a &quot;descobriram&quot; há 500... O irmão europeu da alfândega pediu-me um papel escrito, um visto, para poder descobrir os que me descobriram. O irmão financeiro europeu pede ao meu país o pagamento, com juros, de uma dívida contraída por Judas, a quem nunca autorizei que me vendesse. Outro irmão europeu explica-me que toda a dívida se paga com juros, mesmo que para isso sejam vendidos seres humanos e países inteiros, sem lhes pedir consentimento. Eu também posso reclamar pagamento e juros. Consta no &quot;Arquivo da Companhia das Índias Ocidentais&quot; que, somente entre os anos de 1503 a 1660, chegaram a São Lucas de Barrameda 185 mil quilos de ouro e 16 milhões de quilos de prata provenientes da América. <br /><br />· Teria aquilo sido um saque? Não acredito, porque seria pensar que os irmãos cristãos faltaram ao sétimo mandamento! <br /><br />· Teria sido espoliação? Guarda-me Tanatzin de me convencer que os europeus, como Caim, matam e negam o sangue do irmão. <br /><br />· Teria sido genocídio? Isso seria dar crédito aos caluniadores, como Bartolomeu de Las Casas ou Arturo Uslar Pietri, que afirmam que a arrancada do capitalismo e a actual civilização europeia se devem à inundação dos metais preciosos tirados das Américas.<br /><br />· Não, esses 185 mil quilos de ouro e 16 milhões de quilos de prata foram o primeiro de tantos empréstimos amigáveis da América destinados ao desenvolvimento da Europa. O contrário disso seria presumir a existência de crimes de guerra, o que daria direito a exigir não apenas a devolução, mas uma indemnização por perdas e danos.<br /><br />· Prefiro pensar na hipótese menos ofensiva.<br /><br />· Tão fabulosa exportação de capitais não foi mais do que o início de um plano &quot;MARSHALL MONTEZUMA&quot;, para garantir a reconstrução da Europa arruinada por suas deploráveis guerras contra os muçulmanos, criadores da álgebra e de outras conquistas da civilização. <br /><br />· Para celebrar o quinto centenário desse empréstimo, podemos perguntar: Os irmãos europeus fizeram uso racional responsável ou pelo menos produtivo desses fundos? <br /><br />· Não. No aspecto estratégico, delapidaram-nos nas batalhas de Lepanto, em navios invencíveis, em terceiros reichs e várias outras formas de extermínio mútuo. <br /><br />· No aspecto financeiro, foram incapazes - depois de uma moratória de 500 anos - tanto de amortizar capital e juros, como de se tornarem independentes das rendas líquidas, das matérias-primas e da energia barata que lhes exporta e provê todo o Terceiro Mundo. <br /><br />· Este quadro corrobora a afirmação de Milton Friedman, segundo a qual uma economia subsidiada jamais pode funcionar, o que nos obriga a reclamar-lhes, para seu próprio bem, o pagamento do capital e dos juros que, tão generosamente, temos demorado todos estes séculos para cobrar. Ao dizer isto, esclarecemos que não nos rebaixaremos a cobrar de nossos irmãos europeus, as mesmas vis e sanguinárias taxas de 20% e até 30% de juros ao ano que os irmãos europeus cobram dos povos do Terceiro Mundo. <br /><br />· Limitar-nos-emos a exigir a devolução dos metais preciosos, acrescida de um módico juro de 10%, acumulado apenas durante os últimos 300 anos, concedendo-lhes 200 anos de bónus. Feitas as contas a partir desta base e aplicando a fórmula europeia de juros compostos, concluimos, e disso informamos os nossos descobridores, que nos devem não os 185 mil quilos de ouro e 16 milhões de quilos de prata, mas aqueles valores elevados à potência de 300, número para cuja expressão total será necessário expandir o planeta Terra. <br /><br />· Muito peso em ouro e prata... quanto pesariam se calculados em<br />sangue? <br />· Admitir que a Europa, em meio milénio, não conseguiu gerar riquezas suficientes para estes módicos juros, seria admitir o seu absoluto fracasso financeiro e a demência e irracionalidade dos conceitos capitalistas. <br /><br />· Tais questões metafísicas, desde já, não nos inquietam a nós, índios da América. Porém, exigimos a assinatura de uma carta de intenções que enquadre os povos devedores do Velho Continente na obrigação do pagamento da dívida, sob pena de privatização ou conversão da Europa, de forma tal, que seja possível um processo de entrega de terras, como primeira prestação de dívida histórica...&quot;<br /><br />· Quando terminou seu discurso diante dos chefes de Estado da Comunidade Européia, Guaicaípuro Guatemoc não sabia que estava expondo uma tese de Direito Internacional para determinar a verdadeira Dívida Externa. <br /><br /><b>Embaixador Guaicaípuro Cuatemoc, México</b><br /></br>]]></description></item><item><title>Almeida Faria e Bárbara Assis Pacheco na Fonte de Letras, sexta-feira, 25 de Maio às 19h</title><link>http://www.pnetcronicas.pt/cronica.asp?id=5096</link><description><![CDATA[<img src=http://www.pnetcronicas.pt/imagens/2012517213756_28.JPG border=0><br/><br></br><br>As Edições Tinta-da-China e a Livraria Fonte de Letras têm o prazer de o convidar para a apresentação do livro <i><b>O Murmúrio do Mundo</b></i>, de <b>Almeida Faria</b>, e para a inauguração da exposição de desenhos de <b>Bárbara Assis Pacheco</b>.<br />Sexta-feira, 25 de Maio, às 19h, na Fonte de Letras. </br>]]></description></item><item><title>Hóstia 106-2012</title><link>http://www.pnetcronicas.pt/cronica.asp?id=5094</link><description><![CDATA[Fez merda e foi-lhe dada ordem de prisão de ventre.]]></description></item><item><title>Hóstia 105-2012</title><link>http://www.pnetcronicas.pt/cronica.asp?id=5093</link><description><![CDATA[Na Finlândia, cálculos renais não é doença, é pastorícia.]]></description></item><item><title>Manifesto para uma esquerda livre por Daniel Oliveira in &quot;Arrastão&quot;</title><link>http://www.pnetcronicas.pt/cronica.asp?id=5089</link><description><![CDATA[<img src=http://www.pnetcronicas.pt/imagens/2012516101540_28.JPEG border=0><br/><br>Portugal afunda-se, a Europa divide-se e a Esquerda assiste, atónita.<br /><br />As raízes desta crise estão no desprezo do que é público, no desperdício de recursos, no desfazer do contrato social, na desregulação dos mercados, na desorientação dos governos, na desunião europeia e na degradação da democracia.<br /><br />Em Portugal e na Europa, a direita domina os governos, as instituições e boa parte do debate público. A direita concerta-se com facilidade, tem uma agenda ideológica e um programa para aplicar. A direita proclama que o estado social morreu e que os direitos, a que chamam adquiridos, são para abater.<br /><br />Em Portugal e na Europa, a esquerda está dividida entre a moleza e a inconsequência. Esta esquerda, às vezes tão inflexível entre si, acaba por deixar aberto o caminho à ofensiva reacionária em que agora vivemos, e à qual resistimos como podemos. Resistir, contudo, não basta.<br /><br />É necessário reconstruir uma República Portuguesa digna da palavra República e construir uma União Europeia digna da palavra União.<br /><br />É preciso propor aos portugueses, como aos outros europeus, um horizonte mais humano de desenvolvimento, um novo caminho para a economia e um novo pacto de justiça social.<br /><br />É possível fazê-lo. Uma esquerda corajosa deve apresentar alternativas concretas e decisivas para romper com a austeridade e sair da crise, debatidas de forma aberta e em plataformas inovadoras.<br /><br />A democracia pode vencer a crise. Mas a democracia precisa de nós.<br /><br />Apelamos a todos aqueles e aquelas que se cansaram de esperar – que não esperem mais.<br /><br />É a nós todos que cabe construir:<br /><br />UMA ESQUERDA MAIS LIVRE, com práticas democráticas efetivas, sem dogmas nem cedências sistemáticas à direita, liberta das suas rivalidades, do sectarismo e do feudalismo político que a paralisa. Uma esquerda de cidadãos dispostos a trabalhar em conjunto para que o país recupere a esperança de viver numa sociedade próspera e solidária.<br /><br />UM PORTUGAL MAIS IGUAL, socialmente mais justo, que respeite o direito ao trabalho condigno e combata as injustiças e desigualdades que o tornam insustentável. Um país decidido a superar a crise com uma estratégia de desenvolvimento económico e social, com uma economia que respeite as pessoas e o ambiente, numa democracia mais representativa e mais participada, com um Estado liberto dos interesses particulares que o parasitam.<br /><br />UMA EUROPA MAIS FRATERNA, à altura dos ideais que a fundaram, transformada pelos seus cidadãos numa verdadeira democracia. Uma Europa apoiada na solidariedade e na coesão dos países que a formam. Uma Europa que ambicione um alto nível de desenvolvimento económico, social e ambiental. Uma União que faça do pleno emprego um objetivo central da sua política económica, que dê um presente digno aos seus cidadãos e um futuro promissor às suas gerações jovens.<br /><br /><i>Assinam este manifesto, entre muitos outros: Alexandra Lucas Coelho (jornalista), Alfredo Barroso (ensaísta, comentador), Ana Benavente (professora universitária), Ana Gomes (diplomata, eurodeputada), André Barata (professor universitário), António Mega Ferreira (escritor), Carlos Nô (artista plástico), Daniel Oliveira (jornalista), Fernando Vendrell (realizador), Francisco Belard (jornalista), Hélder Costa (dramaturgo e encenador), Ivan Nunes (doutorando em estudos de cinema), Jorge Bateira (economista), José Reis (economista), José Vítor Malheiros (consultor), Manuel Frias Martins (professor universitário), Mário de Carvalho (escritor), Miguel Real (escritor, ensaísta), Miguel Vale de Almeida (antropólogo, professor universitário), Nuno Artur Silva (autor, produtor), Olga Pombo (professora universitária), Paula Gil (precária), Raquel Freire (cineasta), Rui Cardoso Martins (escritor), Rui Tavares (historiador, eurodeputado) e Rui Zink (escritor).</i><br /><br /> <br /><b>Para assinar o Manifesto vá <a href=&quot;http://paraumaesquerdalivre.net/home/assine/&quot; target=&quot;_blank&quot;>aqui</a>. ( </b><a href=&quot;http://paraumaesquerdalivre.net/home/assine/&quot;>http://paraumaesquerdalivre.net/home/assine/</a> ) <br /><br /><br />Retirado daqui: <a href=&quot;http://arrastao.org/2534643.html&quot;>http://arrastao.org/2534643.html</a><br /><br /><br /></br>]]></description></item><item><title>Lançamento de «Luto pela Felicidade dos Portugueses» de Rui Zink.</title><link>http://www.pnetcronicas.pt/cronica.asp?id=5092</link><description><![CDATA[<img src=http://www.pnetcronicas.pt/imagens/201251615411_28.JPG border=0><br/><br><br />Quarta-feira, 23 de Maio de 2012, das 18:30 até 20:00<i></i>A <br /><br />Planeta e a Fnac têm o prazer de convidar V. Ex.ª para o lançamento do livro «LUTO PELA<br /><br /> FELICIDADE DOS PORTUGUESES» de RUI ZINK <br /><br />O actor André Gago lerá alguns excertos.<br /><br /><br /><a href=&quot;https://www.facebook.com/pages/FNAC-Colombo/174299992619886&quot;><br />FNAC Colombo</a></br><br>1500-392 Lisboa<br /></br>]]></description></item><item><title>Hóstia 104-2012</title><link>http://www.pnetcronicas.pt/cronica.asp?id=5091</link><description><![CDATA[Diz que o Gustavo Lima atraca de popa.]]></description></item><item><title>Hóstia 103-2012</title><link>http://www.pnetcronicas.pt/cronica.asp?id=5090</link><description><![CDATA[- Às vezes não te sentes a enlouquecer?- Tás maluco?!]]></description></item><item><title>Neste momento, não necessitamos de partidos por Rui Taborda</title><link>http://www.pnetcronicas.pt/cronica.asp?id=5088</link><description><![CDATA[<img src=http://www.pnetcronicas.pt/imagens/20125169592_28.JPG border=0><br/><br><br>Para que servem hoje os partidos? Para nos dividir e manter
ocupados, discutindo qual deles é o pior, enquanto a nível local e a nível
central nos endividam com obras de embelezamento que enchem o olho dos
eleitores, mas que em nada contribuem para desenvolver o país ou as regiões?<br /> <br /> A verdade é que, independentemente do partido a que pertencessem, todos os
candidatos ao poder mentiram descaradamente dizendo que iriam fazer mais  e exigir menos dos portugueses.  Todos prometeram, como se isso fosse
possível, baixar os impostos e aumentar as pensões, investir mais na educação,
na saúde, na justiça, na segurança e nas vias de comunicação. </br> <br>Nas autarquias, de norte a sul do país e independentemente
da força política que as governasse, endividaram-se para construir, por todo o
lado, pavilhões, rotundas e fazer todo o tipo de obras de fachada e de
cosmética destinadas a deslumbrar incautos e garantir os votos para a sua
reeleição.<br /> <br /> O povo, que é mais esperto e atento do que os políticos pensam, deixou, na sua
maioria, de votar, depois de perceber que os dirigentes partidários dizem todos
o mesmo e que não há qualquer ideologia ou convicção no que defendem.<br /> <br /> É neste contexto que não precisamos de partidos que nos dividam para continuarem
a fazer todos o mesmo que até aqui. Necessitamos de “unidos”,  como contraponto aos partidos, que congreguem
esforços para recuperar este país. <br /> <br /> Não é por acaso que a Islândia, que hoje recupera rapidamente a sua situação
económica, a primeira coisa que fez, para dar início a esse processo, foi
afastar do poder e dos órgãos de soberania os políticos que exerciam funções
quando o país faliu.  <br /> <br /> Não é por acaso que, enquanto o Governo Português levava o país à falência, a
Bélgica esteve 541 dias sem governo e permanece  sem necessitar de qualquer ajuda económica.</br> <br>Continuamos a ter, no poder central, governantes sem
qualquer rumo que se limitam a fazer o que a Troika lhes manda e, no poder
local, irresponsáveis que cada vez nos endividam mais, para realizar obras de
cosmética em vez de investirem seriamente no que as suas autarquias necessitam
para gerar empregos e riqueza para as suas populações. Melhor seria poupar o dinheiro
dos seus salários de governantes, das suas mordomias e das outras despesas exorbitantes
que geram. </br> Contrariamente
ao que nos querem fazer acreditar, Portugal tem muitas empresas com grande
valor e gente com enorme capacidade. A prová-lo, estão os prémios
internacionais que DIÁRIAMENTE conquistamos. Mau em Portugal, e em grande
quantidade, temos apenas os políticos.<br /> Se não são capazes de pôr os seus interesses de lado e se unir, em torno de um
conjunto de ações que visem recuperar o país e desenvolver as nossas regiões, o
melhor é deixarmos de ter partidos e governantes, pois não nos servem para
nada. </br><br><b><i>Rui Taborda</i></b></br>]]></description></item><item><title>Hóstia 102-2012</title><link>http://www.pnetcronicas.pt/cronica.asp?id=5087</link><description><![CDATA[O Camões era um sortudo. Tinha mulheres à pala.]]></description></item><item><title>Crónica de Segunda - Aviões</title><link>http://www.pnetcronicas.pt/cronica.asp?id=5086</link><description><![CDATA[<img src=http://www.pnetcronicas.pt/imagens/201251505333_160.JPG border=0><br/><br><br />N&atilde;o gosto do &ldquo;&Iacute;dolos&rdquo;, como ali&aacute;s n&atilde;o gosto de nenhum dos seus cong&eacute;neres, &ldquo;Opera&ccedil;&otilde;es Triunfo&rdquo;, &ldquo;Vozes de Portugal&rdquo; e quejandos festivais da otite, mas gosto ainda menos do &ldquo;&Iacute;dolos&rdquo; do que dos outros porque associa ao triste engodo de uma carreira de sucesso a um bando de imp&uacute;beres sonhadores de luzes e estrelato, o extra da humilha&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica, ingrediente essencial para obter audi&ecirc;ncias. Um carcamano bo&ccedil;al (alegremo-nos, de in&iacute;cio eram dois!), de talentos musicais desconhecidos, &eacute; pago, felizmente n&atilde;o do er&aacute;rio p&uacute;blico, para amesquinhar adolescentes transidos, as futuras estrelas que nos h&atilde;o-de encher os ecr&atilde;s e os ouvidos com indiscut&iacute;veis talentos de durabilidade entre 3 a 6 meses, mostrando-lhes, enfim, quem manda &ndash; faz-me sempre recordar um personagem de Lobo Antunes que se servia das criadas mas sempre sem tirar o chap&eacute;u para mostrar quem mandava. &nbsp;<br /><br />Teve, por&eacute;m, este programa a veleidade, pela m&atilde;o de um dos seus imberbes concorrentes, j&aacute; n&atilde;o sei qual &ndash; o programa n&atilde;o est&aacute; feito para que nos lembremos deles &ndash; nem se foi aprovado para o distinto grupo que domingo ap&oacute;s domingo h&aacute;-de encher as &ldquo;galas&rdquo; do programa (eu ainda sou do tempo em que uma gala era um espect&aacute;culo de excel&ecirc;ncia onde eram convidados os mais talentosos cantores ou bandas, os mesmos que agora se sentam em casa a ver o seu lugar ocupado por estudantes de vedeta no desemprego), de trazer para uma velha can&ccedil;&atilde;o de 2009 que poucos conheciam para o topo dos airplays.&nbsp; Acho mesmo que o rapaz, terminadas as hostilidades id&oacute;licas, deveria ser medalhado pelos &ldquo;Azeitonas&rdquo; por os ter catapultado para festivais de ver&atilde;o e queimas de fitas. <br /><br />Falo, claro, de &ldquo;Anda comigo ver os avi&otilde;es&rdquo;. Conhe&ccedil;o uma meia d&uacute;zia de m&uacute;sicas dos &ldquo;azeitonas&rdquo; mas tamb&eacute;m n&atilde;o conhecia esta e fiquei, como muitos, encantada pela sua melodia e lirismo adocicado. E vinha eu, por aqui abaixo, cheia de ganas de escrever cr&oacute;nica, n&atilde;o sobre os &ldquo;&Iacute;dolos&rdquo; nem sobre este interprete que j&aacute; esqueci mas sim sobre esta m&uacute;sica, ou melhor ainda sobre a ideia desta m&uacute;sica e de transcender para al&eacute;m da hist&oacute;ria contada pela can&ccedil;&atilde;o. A magn&iacute;fica ilus&atilde;o de ter algu&eacute;m com quem ver avi&otilde;es, os navios em leix&otilde;es ou os foguet&otilde;es. Uma imposs&iacute;vel imagem de sil&ecirc;ncio e paz em tempo de ru&iacute;do como &eacute; o nosso. Que bom se algu&eacute;m nos amparasse o sil&ecirc;ncio e nos afagasse o cabelo enquanto connosco visse passar os avi&otilde;es ou os p&aacute;ssaros em voo rasante e enquanto o mar ao longe fizesse a banda sonora, sem lugar a luzes nem ribalta. S&oacute; sil&ecirc;ncio, paz, quase solid&atilde;o. <br /></br>]]></description></item><item><title>Hóstia 101-2012</title><link>http://www.pnetcronicas.pt/cronica.asp?id=5085</link><description><![CDATA[Tentei criar a Dança do Ventre no Varão mas a bailarina acabou empalada.]]></description></item><item><title>Estigma, estigma quem és tu por FERREIRA FERNANDES in &quot;DN&quot;</title><link>http://www.pnetcronicas.pt/cronica.asp?id=5084</link><description><![CDATA[<br>Pedro Passos Coelho ficou com o estigma de ter dito uma tolice. Louçã, Seguro, Jerónimo caíram-lhe em cima. Estigmatizaram Passos Coelho. Mas, sabem?, eu estou-me nas tintas para os estigmatizadores e, até, para os estigmas. O meu problema é a tolice. A tolice dita: &quot;Despedir-se ou ser despedido não tem de ser um estigma, tem de representar também uma oportunidade para mudar de vida.&quot; A tolice repetida: &quot;Estar desempregado não pode ser, para muita gente, como é ainda hoje em Portugal, um sinal negativo.&quot; E ainda a tolice servida com dose de hipocrisia: &quot;[Os desempregados] perceberão que terão, por parte do Estado, o apoio devido para se prepararem para um futuro.&quot; </br><br>Tudo frases de Passos Coelho, e eu diria que também me estava nas tintas para o estigmatizado que disse as tolices, não fosse a última versão - garantindo &quot;por parte do Estado, o apoio devido&quot; - ser cínica, porque veio de um primeiro-ministro. Dito isto, o problema é a tolice.<b> É que o problema do desemprego não é o estigma - é mesmo o desemprego.</b> É que o problema não é de como se olha o desempregado ou de como ele se sente olhado - é ele não ter uma coisa: trabalho. Não essa ideia, não. Essa coisa. Do que menos precisamos é de um primeiro-ministro armado em psicólogo. Queremos um primeiro-ministro que trate das coisas. Podia começar por isto: arranjar quem lhe corrija os discursos. Sem receio que isso cause estigmas em alguns inúteis. </br><br>Veio daqui: <a href=&quot;http://www.dn.pt/inicio/opiniao/interior.aspx?content_id=2514559&seccao=Ferreira+Fernandes&tag=Opini%EF%BF%BDo+-+Em+Foco&quot;>http://www.dn.pt/inicio/opiniao/interior.aspx?content_id=2514559&seccao=Ferreira+Fernandes&tag=Opini%EF%BF%BDo+-+Em+Foco</a></br>]]></description></item><item><title>Nick Malkoutzis: “Ninguém sabe que impacto terá a saída da Grécia do euro” por Jorge Nascimento Rodrigues in &quot;Janela na Web&quot;</title><link>http://www.pnetcronicas.pt/cronica.asp?id=5083</link><description><![CDATA[<img src=http://www.pnetcronicas.pt/imagens/20125139427_28.JPG border=0><br/><br><b>Um dos medos acerca de uma saída da Grécia do euro é que ninguém sabe mesmo que impacto teria. Aquilo com que muita gente está preocupada é com um colapso do sistema bancário. A que acresce o facto de que, tendo de desvalorizar fortemente a nova moeda, o dracma, a hiperinflação surgiria entretanto e as dificuldades em importar produtos básicos, petróleo e medicamentos disparariam”, diz Nick Malkoutzis, editor da versão em inglês do jornal grego “Kathimerini”, um dos mais influentes, em entrevista. A edição diária em inglês é publicada em parceria com o International Herald Tribune.</b> <br /><br /><b>------------</b><br /><br /><br />ENTREVISTA por Jorge Nascimento Rodrigues<br /><br /><br><b>ENTREVISTA por Jorge Nascimento Rodrigues</b></br><br><b>P: O Memorando de Entendimento (MoU) com a troika tem mesmo de ser mudado, depois da derrota que sofreu nas urnas?</b></br><br>R: Convém distinguir dois aspetos no MoU – as reformas estruturais e as metas orçamentais. Quanto às primeiras, elas são vitais. Mas há uma área em que tais reformas estruturais podem ser polémicas, na questão da reforma do mercado laboral. A opinião pública grega não ficou convencida que a abolição dos contratos coletivos de trabalho e a baixa do salário mínimo beneficiarão a população ou o país.</br><br><b>P: Isso quer dizer que as metas orçamentais são a parte que atrai a maior discordância mesmo dos sectores moderados do espectro político?</b></br><br>R: Nesse campo, tem de haver uma flexibilização das exigências da troika. A própria realidade mudou: a troika previa que a economia grega se contrairia 4,5% este ano. Ora, muitos economistas preveem que chegue aos 7%. Isto significa que no espaço de apenas quatro anos, a nossa economia caiu quase 25%. Isto é devastador. E torna difícil alcançar quaisquer metas no rendimento que possam reduzir o défice orçamental. Isto tem de ser reexaminado antes que a nossa economia seja completamente destruída. Não há qualquer forma de cumprir o programa se a capacidade da Grécia pagar a sua dívida está afetada pelo aprofundamento da recessão.</br><br><b>P: Se caminhar para novas eleições em meados de junho, há o risco de uma bancarrota na Grécia, já que coincidiria com a revisão regular feita pela troika ao andamento do plano de resgate?</b></br><br>R: A troika desbloqueou uma parte da tranche de 5,2 mil milhões de euros, mas este dinheiro é apenas para servir a dívida e não para os gastos públicos. Para além disso, a Grécia parece dispor de dinheiro até junho. Se não obtiver a tranche seguinte, arrisca-se a entrar em bancarrota interna, não podendo pagar as reformas nem os vencimentos dos funcionários públicos. O governo também já deve mais de 6 mil milhões de euros a fornecedores e em reembolsos de impostos. A situação é absolutamente crítica.</br><br><i><b>Não é claro que o eleitorado grego queira que a Grécia saia do euro</b></i></br><br><b>P: O que a troika irá fazer face à crise política grega em curso?<br /></b><br />R: Suspeito que vai esperar para ver os desenvolvimentos. Talvez se disponha a cobrir algum buraco através de um empréstimo-ponte até que se saiba se temos governo que aceite trabalhar com a troika ou se o plano de resgate chega ao fim da linha.</br><br><b>P: Há o risco da Grécia sair do euro?</b></br><br>R: Se um governo anti-memorando for formado, a partir de novas eleições, então essa possibilidade é real. O partido SYRIZA (da esquerda radical, segundo partido mais votado nas eleições de domingo) e os Gregos Independentes (de direita, formado por ex-membros da Nova Democracia, e que consideram que o memorando é uma invasão, e que foram o quarto partido mais votado) já disseram que não aceitam o memorando nos termos em que está e eu duvido que haja mudanças no texto que possam ser aceitáveis para a troika e que satisfaçam aqueles dois partidos, para poderem reclamar vitória junto dos seus eleitorados.</br><br><b>P: Mas o eleitorado grego quer mesmo sair do euro?</b></br><br>R: Não é claro que queira. Julgo que a mensagem para os políticos dada pelas urnas foi esta: “trabalhem em conjunto para melhorar os termos do plano de resgate e criem um plano para sairmos da crise”. É possível que se formos para novas eleições o eleitorado dê uma resposta clara a isso – ou favorece o campo contra o memorando, ou os partidos que ainda acreditam em permanecer no euro a todo o custo.</br><br><b>P: Quais são as consequências de uma saída do euro?</b></br><br>R: Um dos medos acerca de uma saída da Grécia do euro é que ninguém sabe mesmo que impacto teria. Aquilo com que muita gente está preocupada é com um colapso do sistema bancário. A que acresce o facto de que, tendo de desvalorizar fortemente a nova moeda, o dracma, a hiperinflação surgiria entretanto e as dificuldades em importar produtos básicos, petróleo e medicamentos disparariam.</br><br><b>P: Alguns dizem que a saída do euro, e o regresso a moeda própria, favoreceria a competitividade do país, é possível?<br /></b><br />R: Sim, há alguns, como Nouriel Roubini, que minimizam o lado negativo e argumentam que o impacto seria curto e que em breve a Grécia dinamizaria as suas exportações graças a uma desvalorização do dracma, a nova moeda.</br><br><b>P: E não será, assim, que a economia grega responderá, como alvitram alguns textos dos livros de economia?</b></br><br>R: O problema é que a Grécia não é a Argentina. Não tem exportações prontas à espera de encontrar compradores logo que se tornem mais baratas. A nossa base produtiva e agrícola foi dizimada com o euro, e pode tornar-se bem difícil reviver e inclusive há o problema do acesso ao capital.</br><br><b>P: Uma saída do euro significa uma saída da União Europeia (UE), no contexto atual muito crispado?</b></br><br>R: Não é certo que isso aconteça. É mais um assunto jurídico sobre os tratados e certamente que os advogados acabarão por achar uma solução – sempre o conseguem!</br><br><i><b>A Rússia poderá ser um aliado vital</b></i></br><br><b>P: Mas que alianças poderia procurar a Grécia fora da UE?</b></br><br>R: O Partido Comunista Grego, que advoga explicitamente a saída do euro e da UE, argumenta que o nosso país pode olhar para os estados árabes procurando novas alianças, mas isto não é convincente. A realidade é que uma saída deixará a Grécia muito isolada, a não ser que as suas relações com a Turquia e os vizinhos dos Balcãs melhorem significativamente.</br><br><b>P: Um dos aspetos na região é o facto de Chipre, um país membro da zona euro, ter sido financeiramente resgatado pela Rússia. Será um modelo de aliança?</b></br><br>R: A Rússia sempre teve uma relação financeira muito forte com Chipre desde os anos 1990. Muitas das firmas russas estão sediadas em Chipre o que significa que Moscovo tem um enorme incentivo em assegurar que a economia cipriota esteja em boa forma. Ora, a Rússia não tem o mesmo tipo de relacionamento com a Grécia.</br><br><b>P: Em virtude da localização estratégica da Grécia, a Rússia poderá ser um aliado?</b></br><br>R: Quando Kostas Karamanlis foi primeiro-ministro (do governo da Nova Democracia), entre 2004 e 2009, tentou cultivar laços com Vladimir Putin e os dois lados acordaram em trabalhar no oleoduto Burgas (na costa búlgara do mar negro)-Alexandroupoli, mas isso falhou. Certamente que há potencial na cooperação entre os dois países, mas tem de ser sempre equilibrado com a posição da União Europeia (UE) em relação aos acordos com a Moscovo. A Grécia importa muito do gás natural da Rússia, mas a UE manifestou reservas, no passado, em relação ao facto de membros seus se tornarem superdependentes do gás russo. Atualmente o nosso país iniciou o processo de exploração de petróleo e gás – e, nesse aspeto, talvez venha a haver um interesse russo. Já manifestou interesse em comprar a DEPA, a empresa grega de gás. Certamente que, no caso de uma saída da UE, a Rússia poderá tornar-se um aliado vital.</br><br><b>P: Qual o papel do investimento chinês no porto do Pireu?</b></br><br>R: O relacionamento com os chineses é algo que foi construído ao longo dos anos mais recentes. O investimento da COSCO (China Ocean Shipping Group) no Pireu é significativo e espera-se que aumente. Também houve manifestação de interesse de criar uma plataforma logística perto de Atenas. Mas, tal como com os russos, eles não investirão apenas por investir. Precisam de condições adequadas. E isso significa estabilidade económica e política, e também um ambiente amigo do investidor. A Grécia não dispõe dessa situação, por ora, e, se não a criar, o capital russo e chinês irá para outro lado. Veja o caso de Portugal. Os Chineses também já investiram aí, o que significa que as condições no seu país estão maduras.</br><br>Veio daqui: <a href=&quot;http://janelanaweb.com/crise/nick-malkoutzis-ninguem-sabe-que-impacto-tera-a-saida-da-grecia-do-euro/&quot;>http://janelanaweb.com/crise/nick-malkoutzis-ninguem-sabe-que-impacto-tera-a-saida-da-grecia-do-euro/</a></br></br>]]></description></item><item><title>O golpe de rins — diário de bordo 608 - a vingança do mundo sobre os Opinion Makers e os Spin Doctors - por J. Nascimento Rodrigues in &quot;Geoscópio&quot;</title><link>http://www.pnetcronicas.pt/cronica.asp?id=5082</link><description><![CDATA[<br><b>Em poucas semanas o que era um edifício sem rachas parece que sofreu o impacto de um sismo. É claro que há sempre quem finja que nada aconteceu e continue a assobiar para o ar até ao último minuto.</b><br /><br />O primeiro do “sistema” a mudar o discurso foi Mário Draghi, o presidente do poderoso Banco Central Europeu (BCE). Saiu da sua “independência” monetária, e veio dizer, em Barcelona, que não há ajustamento orçamental, nem condições de segurar a “regra de ouro” (anti-despesista) a longo prazo, se não houver, também no curto prazo, um “pacto para o crescimento” (<i>growth compact</i>). Draghi, por momentos, se nos esquecêssemos do enquadramento do BCE a que ele preside, pareceria um cocktail de Keynes com Schumpeter – os governos devem cortar na despesa corrente, jamais no investimento, e o investimento público deve dar gás a infraestruturas e inovação, empreendedorismo e start-ups.<br /><br />Outra voz que tem peso no “sistema” é, naturalmente, a de Charles Dallara, o patrão do lóbi da finança internacional, que se fez ouvir esta semana. O diretor do Instituto de Finanças Internacionais, saído há semanas da negociação de uma reestruturação da dívida grega, foi claro no canal norte-americano CNBC: “A economia europeia desligou-se do marco político. A focalização nos cortes orçamentais a curto prazo não se ajustou à realidade económica”.<br /><br />Rapidamente os eurocratas mudaram o tom. Sem perderem a face, a palavra mágica “crescimento” regressou ao primeiro plano do discurso.<br /><br />A Comissão Europeia chefiada por Durão Barroso desenterrou o papel possível dos fundos estruturais (há 80 mil milhões de euros ainda por usar no atual quadro), do Banco Europeu de Investimentos (BEI) e de títulos relacionados com projetos infraestruturais (<i>project bonds</i>) em parceria com privados que poderão envolver mais de 200 milhões de euros de fundos europeus e gerar quatro mil milhões de investimento global.<br /><br />Por seu lado, o presidente do Conselho Europeu Herman Van Rompuy convocou de urgência para 23 de maio uma cimeira europeia especial sobre a nova palavra da moda: <i>growth compact</i>. O comissário Olli Rehn, no seu estilo inconfundível, apressou-se a dizer que o pacto orçamental “oferece muita margem de manobra”. Finalmente, o próprio Bundesbank, o banco central alemão, a catedral europeia da linha dura, veio fazer, esta semana, um entorse à sua ortodoxia, com alguns de dentro do aparelho a admitir que a inflação na Alemanha possa ser superior a 2%.<br /><br />A que se deve esta súbita inversão? A dois violentos murros no estômago. Um dado pela própria economia. Outro pela democracia.<br /><br /><b>Dois murros no estômago</b><br /><br />O primeiro murro no estômago foram os resultados da estratégia de ajustamento que se seguiu quando a crise das dívidas soberanas irrompeu em final de 2009 e o período de “estímulos” para evitar o aprofundamento da recessão económica deixou de ter apoiantes na zona euro.<br /><br />A receita da austeridade em simultâneo em todos os países periféricos já provocou 7 países em recessão, entre eles, várias das economias mais importantes nos 17 da zona euro. A própria zona euro, segundo as previsões da Primavera da Comissão Europeia, deverá entrar em doube-dip, ou seja regressar à recessão este ano, ainda que ligeira, na ordem de uma quebra de 0,3%. Justamente 7 dos 17 realizarão, este ano, ajustamentos orçamentais superiores a 2% do PIB respetivo, segundo o levantamento realizado por João Silvestre, do Expresso, a partir dos Programas de Estabilidade. Nesse grupo estão duas das maiores economias da zona euro, Itália e Espanha.<br /><br />Num contexto destes, a realidade foi mais forte do que a ortodoxia eurocrata.<br /><br />Os “desvios” à linha dura de Bruxelas sucederam-se: a Irlanda inventou uma engenharia financeira para evitar o pagamento da promissória anual que cobre o sistema financeira do país, contra a vontade dos eurocratas, e Mariano Rajoy, logo que chegou ao poder em Espanha, impôs uma meta de défice orçamental, para este ano, acima do que a Comissão Europeia havia indicado ao seu antecessor socialista.<br /><br />O segundo murro no estômago foi dado pela democracia. As eleições em França e na Grécia provocaram um sismo com réplicas que ainda continuam.<br /><br />O candidato presidencial socialista François Hollande ganhou empunhando uma bandeira europeia de que é preciso um “anexo” ao pacto orçamental, que coloque o crescimento, de novo, no palco das políticas europeias. Hollande advoga ainda o fim do duopólio franco-alemão sobre a condução da política europeia, puxando outros países – como a Itália e a Espanha – para o primeiro plano e regressando ao papel das instituições europeias, apagado pelo diretório da era Merkel e Sarkozy. O presidente eleito decidiu, aliás, reunir com Herman Van Rompuy e Jean-Claude Juncker (presidente do Eurogrupo) antes da própria cimeira com Merkel logo após a sua investidura.<br /><br />E na Grécia aconteceu o que os eurocratas nunca confessaram ser um cenário de risco: os partidos pró-troika representam pouco mais de 1/3 do eleitorado, e mesmo esses fizeram campanha exigindo a renegociação de diversos aspetos do segundo plano de resgate; e um partido da Esquerda Radical, o SYRIZA, subiu ao segundo lugar, e, segundo sondagens desta semana, chegará a ganhador se houver novas eleições em junho. A gravíssima crise política grega tocou os sinos a rebate.<br /><br /><b>Keynes volta, estás perdoado</b><br /><br />A Grécia, outrora berço da civilização ocidental, é hoje um laboratório da crise da dívida. “As receitas orçamentais têm de ser revistas antes que destruam a economia grega. No curto espaço de quatro anos, a economia caiu 25%. Ainda não é claro que o eleitorado advogue uma saída do euro. Mas, se caminharmos para uma segunda eleição, a decisão surgirá, ou num sentido ou noutro, em definitivo. E um dos medos de uma saída do euro é que, na verdade, ninguém sabe mesmo qual será o seu impacto”, diz-nos Nick Malkoutzis, editor da versão em inglês do jornal grego Kathimerini. Impacto não só direto (a dívida soberana atual somada à exposição do BCE à Grécia e aos empréstimos do BCE aos bancos gregos chega a mais de 600 mil milhões de euros) como o efeito de contágio, visível na forma como os mercados da dívida têm reagido às notícias que vêm de Atenas. Por um lado, penalizam os títulos dos grandes “periféricos” ainda não intervencionados pela <i>troika</i> – Espanha e Itália – e manifestam toda a sua aversão ao risco “fugindo para o que é seguro”, os <i>Bunds</i>, os títulos alemães, cujas <i>yields</i> atingiram, no mercado secundário, níveis mínimos abaixo de 1,6%.<br /><br />O rombo no edifício tem permitido o regresso, entre muitos economistas, a um “keynesianismo estrutural”, mitigado ou ortodoxo, com muitos a advogarem a substituição da atual orientação de ajustamento orçamental acelerado por políticas económicas similares às que vigoraram desde o pós-guerra até 1970, como resposta à devastação da guerra mundial e às sequelas da Grande Depressão dos anos 1930. Não só em termos de políticas domésticas (orientadas ao combate ao desemprego, uma “variável” que saiu fora de controlo para “surpresa” de muitos governantes), como na resolução dos desequilíbrios internos à zona euro entre países deficitários e excendentários.<br /><br />A própria política interna alemã pode trazer surpresas. “Um ponto crucial na agenda alemã é saber se o SPD e os Verdes vão embarcar no dogma de Ângela Merkel e vão votar favoravelmente a ratificação do pacto orçamental em meados de junho. Resta saber se o farão a troco de uma compensação referindo um pacto de crescimento, ou se ainda não se sentem seguros de que podem desafiar a chanceler não sendo penalizados pela opinião pública alemã. Pode ser que os resultados das eleições este domingo no estado da Renânia do Norte-Vestefália sejam um ponto de viragem”, chama a atenção Nick Panayotopoulos, analista grego sobre temas europeus muito ativo na blogosfera.<br /><br />“O governo da chanceler pode ter começado a compreender que as políticas de austeridade lançaram a maioria dos países da zona euro, incluindo a própria Alemanha, numa nova recessão. A única saída, por cima, é um relançamento do crescimento, coordenado entre os países membros do euro, a começar pelos que têm mais margem de manobra, e aí entra a Alemanha em primeiro lugar”, afirma Dominique Plihon, professor de economia financeira na Universidade Paris XIII. Este especialista francês recorda que a Alemanha não tem de inventar nada, “só tem de se recordar do que propôs John Maynard Keynes em 1944 – a resolução da crise tem de ser posta em prática em simultâneo pelos países deficitários e pelos excedentários. E estes últimos devem tomar as responsabilidades da redução dos desequilíbrios e não impor unilateralmente todo o fardo do ajustamento aos deficitários”.<br /><br />Resta saber como a linha dura europeia se vai libertar como se fossem fraldas descartáveis dos mais papistas do que o Papa sem aparentar não perder a face.<br /><br />John Maynard Keynes, subitamente, regressou, de novo ao palco do debate político. Mas com duas pedras no sapato – o nível de sobreendividamento numa franja larga de países da zona euro está acima do limiar crítico dos 90% do PIB e o papel multiplicador da despesa pública e do endividamento soberano para a suportar diminui drasticamente desde que Keynes advogou as suas receitas. O momento é o ideal para se forjarem Prémios Nobel que resolvam o imbróglio e políticos que inovem.<br /><br /><a href=&quot;http://geoscopio.tv/2012/05/gestao-do-risco/o-golpe-de-rins-diario-de-bordo-608/&quot;>http://geoscopio.tv/2012/05/gestao-do-risco/o-golpe-de-rins-diario-de-bordo-608/</a> <br /><br /></br>]]></description></item><item><title>Conferência Leituras da Crise in &quot;Seara Nova&quot; por Ana Goulart</title><link>http://www.pnetcronicas.pt/cronica.asp?id=5081</link><description><![CDATA[<br>Com a Sala Veneza do Hotel Roma transformada numa grande plateia interessada e participativa realizou-se a segunda Conferência <i>Seara Nova</i>, no âmbito das comemorações do 90.º aniversário da revista. Desta feita subordinada ao tema &quot;Leituras da crise&quot;, a iniciativa contou com as valiosas contribuições dos professores universitários António Avelãs Nunes (Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra) e João Ferreira do Amaral (Instituto Superior de Economia e Gestão - ISEG - da Universidade Técnica de Lisboa).<br>Perceber as origens da crise e o seu desenrolar até à actual situação de estagnação, no contexto mundial, europeu e português foi o desafio lançado aos oradores convidados e, convém referi-lo, amplamente satisfeito.</br><br>Sem descontextualizar a crise da globalização, António Avelãs Nunes assinalou: &quot;quando falamos de globalização estamos a falar de uma política sistemática seguida à escala mundial e de acordo com os cânones do neoliberalismo&quot;.</br><br>&quot;Falaremos apenas do aspecto financeiro, uma vez que a hegemonia do capital financeiro que conduziu a este capitalismo <i>play boy</i>, capitalismo de casino que temos de há uns anos a esta parte é um dos pontos fortes da globalização&quot;. Para o professor de Economia da Universidade de Coimbra, a &quot;liberdade de circulação de capitais num mercado unificado à escala mundial é uma das notas deste tempo e os defensores da ideologia neoliberal disseram que daqui viria o melhor dos mundos porque esta liberdade de circulação de capitais iria ter como consequência que os capitais afluiriam lá onde eles são mais necessários, são mais escassos e o mundo funcionaria muito melhor e melhoraria a eficiência do sistema financeiro. Os capitais estariam onde poderiam ter aplicação óptima e tudo se optimizava e tudo seria ideal&quot;.</br><br>&quot;A realidade confirma aquilo que alguns suspeitavam. As coisas não se passaram assim. Houve uma grande concentração, houve uns afluxos de capitais, mas quer ao nível do investimento estrangeiro quer ao nível da aplicação da poupança mundial, os grandes países ficaram com a parte de leão e os pequenos países, e cada vez mais os países ditos subdesenvolvidos, estão a financiar as dívidas e os investimentos dos países ditos ricos ou desenvolvidos&quot;, elucidou Avelãs Nunes, adiantando que &quot;esta economia de casino, permitindo que especuladores coloquem o seu dinheiro onde quiserem, no momento em que quiserem e peçam emprestado onde quiserem e no momento em que quiserem veio, longe de beneficiar a optimização da utilização de capitais, introduzir factores muito fortes de instabilidade e de incerteza&quot;.</br><br>&quot;Um dos caminhos para a obtenção de ganhos foram os chamados &quot;produtos derivados&quot;, resultantes do processo de inovação financeira. &quot;Fala-se de produtos derivados, eufemisticamente, para se dar a ideia de que se trata de produtos, qualquer coisa que é produzida nalguma indústria bancária. Penso que isto não é inocente... O valor destes produtos derivados atinge à escala mundial mais de mil biliões de dólares, o que equivale, segundo alguns autores, a 20 anos da produção mundial. É muito dinheiro envolvido nestes jogos de casino. E é um capital puramente fictício. É um capital que, em termos marxistas, não gera mais-valia, não produz riqueza. Se tem ganhos tem de ir buscá-los onde eles se produzem, ou seja, na economia real&quot;, disse Avelãs Nunes.</br><br>Mercados</br><br>Sobre os mercados, referiu o professor catedrático da Universidade de Coimbra, que &quot;começaram então a surgir estudos a mostrar a velocidade sem precedentes de concentrações, fusões e aquisições de empresas financeiras com a redução acentuada de bancos que controlam, por sua vez, muitas companhias de seguros e, directa ou indirectamente, outras instituições financeiras, fundos de investimentos, fundos de pensões, etc. Um estudo de três investigadores do Instituto Federal Suíço de Tecnologia mostra até que ponto foi este processo de concentração. A partir do banco de dados Orbis 2007, apuraram um núcleo constituído pelas 1.318 mais poderosas empresas transacionais, que representam directamente 20% do rendimento da produção à escala global, núcleo que detém ou controla, em conjunto, cerca de 60% da economia mundial. Dentro deste grupo, o estudo identificou um núcleo mais restrito ainda de 147 entidades, das quais ¾ são instituições financeiras - bancos, seguradoras, fundos de investimento, fundos de pensões - que dominam grande parte das restantes. A conclusão dos autores é que menos de 1% das entidades estudadas controlam 40% de toda a rede. Acresce que estas 147 entidades nucleares estão ligadas entre si por uma densa teia de participações cruzadas, o que faz delas um verdadeiro governo do mundo capitalista. Ficamos pois a saber dos mercados, de que tanto se fala. Os mercados são isto. Compreendemos assim que não têm nada a ver com a concorrência e nada têm a ver com a democracia. Aqui está o que é a financeirização da economia mundial: o domínio do capital financeiro sobre o capital produtivo&quot;.</br><br>Sobre o poder de compra das famílias, disse Avelãs Nunes: &quot;o facto de por toda a parte o poder de compra das famílias ter diminuído, veio criar novas fórmulas para manter a procura, porque esta é factor fundamental para alimentar o crescimento económico. Recorreu-se à economia do crédito. O crédito fácil para tudo e para nada. As famílias ficaram nas mãos do sector financeiro. Por toda a parte o fenómeno do sobreendividamento das famílias é um fenómeno generalizado e preocupante. Mas ficaram nas mãos do sector financeiro também os Estados, porque graças a essa coisa que o neoliberalismo inventou da independência dos bancos centrais, estes não estão cá para fazer parte do poder do Estado. Não têm nenhuma obrigação, porque são independentes, de colaborar com os órgãos de soberania, na pressecução dos objectivos políticos que cada país se propõe. O objectivo único é o de salvaguardar a manutenção dos preços, salvaguardar a inflação&quot;.</br><br>&quot;E tudo caminhava no melhor dos mundos até que o casino ficou sem fundos. Como é que o casino ficou sem fundos? Ficou sem fundos, no caso dos Estados Unidos, porque uma outra invenção financeira chamada titularização de créditos se tinha transformado numa espécie de varinha mágica que resolvia todos os problemas e ultrapassava os problemas do risco diversificando a colocação dos títulos financeiros. A titularização tem assento em créditos hipotecários; concede-se um crédito, garantido por hipoteca, e depois emitem-se obrigações que criam formas de pagamento (a banca a criar moeda a partir de moeda) e assim se multiplica o crédito. Este negócio começou nos Estados Unidos e, durante anos, cerca de 80% dos créditos hipotecários concedidos no sector imobiliário eram titularizados, transformando-se noutros títulos que serviam de base a outros créditos que davam dinheiro a ganhar ao capital financeiro. Esta titularização é que esteve na base dos chamados empréstimos <i>subprime,</i> assim ditos porque eram empréstimos que não respeitavam, por parte da banca, os requisitos mínimos que o negócio bancário implica para que haja fiabilidade e o retorno daquilo que se empresta. Abriram caminho para a crise do <i>subprime</i> quando estes mercados entraram eles próprios em crise&quot;, explicou Avelãs Nunes.</br><br><br>Crise do capitalismo</br><br>&quot;Assim se instalou a crise nos Estados Unidos e depois no mundo todo. E alguns vieram dizer que era uma crise do neoliberalismo, como o primeiro-ministro da altura, José Sócrates, que chegou a dizer que o neoliberalismo tinha morrido, tal como o comunismo há 20 anos Assim estava resolvida a crise. Era culpa do neoliberalismo e como este estava morto não pegava a doença a mais ninguém. Claro que por detrás deste discurso há uma nota não inocente: o capitalismo não é para aqui chamado, para o capitalismo não há alternativa porque é eterno. É um grande mal do capitalismo quando se convence que tem garantida a eternidade&quot;, ironizou o professor Avelãs Nunes.</br><br>&quot;Como era uma crise do neoliberalismo houve alguns que começaram a falar de Keynes&quot;, o qual tinha dito que &quot;o capitalismo tem dois vícios (chamou-lhes ele) fundamentais: primeiro, o capitalismo vive de crises porque situações de pleno emprego são raras e efémeras, segundo o capitalismo gera desigualdades que são prejudiciais para o crescimento económico. É preciso assim combater esses vícios e, na minha leitura de Keynes que poderá não ser pacífica, os caminhos de combate passavam pela necessidade de provocar a eutanásia do rendista, quer dizer, de liquidar os capitalistas passivos que viviam dos rendimentos do seu capital passivamente, não eram investidores activos. Se se aumentar a quantidade de moeda e se se baixar a taxa de juro, o rendista morre ao fim de cinco anos. Era a ideia de Keynes, que tinha ainda a ideia de que era preciso uma certa socialização do investimento e isso pressupõe que haja um certo controlo público da poupança nacional e do estímulo à poupança que é uma questão que não pode ficar entregue aos interesses privados. Se levarmos isto a sério tem que se lhe diga. Mas por estas e outras voltaram a pôr Keynes a dormir o sono dos justos e assim ficou&quot;, aduziu Avelãs Nunes.</br><br>A concluir a sua intervenção, António Avelãs Nunes afirmou: &quot;a crise é, em certa medida, uma crise do neoliberalismo, só que, na minha leitura, o neoliberalismo não existe fora do capitalismo, não é uma invenção de filósofos que não tenham mais nada em que pensar. O neoliberalismo é um fruto do capitalismo. Penso que esta é mais uma crise do capitalismo e uma crise estrutural do capitalismo. Parece que desta vez a crise não só era anunciada, como foi programada, porque ela tem muito que ver com a política seguida por todo o mundo e também na Europa, no sentido de, para se salvar as margens de lucro, atacar lá onde o ideário neoliberal manda atacar: atacar os trabalhadores, atacar os salários, os direitos, fazer baixar os salários, diminuir o poder de compra. Keynes, tal como Marx antes, provaram que não era pela baixa de salários que se resolvia o problema do desemprego e ninguém ainda provou que Keynes e Marx estavam errados, mas as <i>troikas</i> dizem-nos que é preciso baixar os salários para aumentar o emprego e ganhar competitividade. Como se nós baixando os salários a produzir rolhas ganhássemos produtividade relativamente à Alemanha que produz Mercedes&quot;.</br><br>Dimensões da crise</br><br>O professor João Ferreira do Amaral acentuou na sua intervenção a crise europeia e portuguesa. Sobre a primeira afirmou que &quot;tem quatro dimensões principais que têm graus de maturação diferentes, mas que se vão aprofundando todas elas e a um ritmo que faz pensar num paroxismo não dentro de muito tempo&quot;.</br><br>Começando pela dimensão económica, o professor catedrático do ISEG considerou: &quot;é talvez a crise mais antiga no tempo porque podemos começar a avaliá-la desde o início do século: baixo crescimento da Europa, em particular da zona Euro, abaixo mesmo dos padrões habituais de crescimento na Europa e que foi baixo porque cresceu pouco a procura interna, nomeadamente o consumo. Ao contrário do que muitas vezes se afirma, o problema de crescimento na Europa não teve a ver com uma situação externa deficitária, de dificuldade de produzir para exportação; no seu conjunto, a Europa cresceu pouco, porque a procura interna também cresceu pouco&quot;.</br><br>E adiantou: &quot;Esta evolução não foi por acaso. Dentro do modelo que nos foi vendido da evolução europeia, o inimigo da Europa supostamente era o crescimento do consumo e do bem-estar, portanto da procura interna, e o outro inimigo eram os salários demasiadamente altos. Ao mesmo tempo os salários crescerem relativamente pouco potenciaria um crescimento maior do emprego e, consequentemente, uma redução das taxas de desemprego na Europa que já eram elevadas antes do ano 2000. Porém, nada disto sucedeu; o que se viu foi que tendo a Europa um baixo crescimento, o peso do Estado na economia começou a ser um fardo maior&quot;.</br><br><br>&quot;Quando se disse e se vendeu - e continua a vender - que o problema da Europa foi um Estado excessivamente dimensionado com excessiva regulamentação, etc, estava-se justamente a inverter a causalidade. O problema não foi esse, o problema foi um baixo crescimento económico induzido por políticas que não continham a evolução da procura interna e que naturalmente a partir daí tornaram muito mais pesado aquilo que era o Estado social e todas as prestações com ele relacionadas. Isto serviu como sabemos para o desmantelamento do Estado social e a pressão nesse sentido que tem sido mais ou menos coroada de êxito consoante os países&quot;, enfatizou João Ferreira do Amaral.</br><br>A segunda dimensão da crise apontada pelo professor catedrático do ISEG é a dimensão financeira que &quot;tem um grau de dramatismo muito grande, principalmente desde há dois anos a esta parte, pela chamada crise das dívidas soberanas, mas a preparação desta crise também estava crescentemente a verificar-se. O interessante nesta crise financeira é que pulverizou a Zona Euro. Ou seja, a Zona Euro,criada com o Tratado de Maastricht embora na prática só tivesse sido instituída com a criação da moeda única em 1999, pretendia ser uma zona de estabilidade e uma referência a nível mundial. Tanto que a moeda forte que foi criada, o euro, destinava-se a acrescer a essa estabilidade com a política económica a ser dirigida à estabilidade dos preços, à manutenção de uma cotação elevada do euro, portanto, atraindo capitais para a Europa; não haveria dificuldades de financiamento, desde que os Estados mantivessem alguma contenção orçamental - assim apareceu o Pacto de Estabilidade e Crescimento para limitar os défices do sector público - e desde que não houvesse a veleidade de fugir desta rigidez de regras que o Banco Central Europeu impunha na política monetária&quot;.</br><br>&quot;Na verdade não sucedeu nada disto. Durante algum tempo o euro foi-se valorizando, mas a economia europeia foi sendo cada vez mais objecto de desaceleração pelas razões que enunciei e também porque o euro se manteve como moeda forte, o que penaliza as actividades mais ligadas à produção de bens susceptíveis de troca com outros espaços. A certa altura a confiança no euro e na sua estabilidade esfumou-se, de tal forma que se atingiu a situação que se tinha por impensável há 10 ou 15 anos de a Zona Euro ser acusada pelo presidente dos Estados Unidos e por outros dirigentes a nível mundial fora da Europa de ser uma zona de instabilidade a nível mundial&quot;.</br><br>&quot;A terceira crise é a crise política. Esta crise política tem várias facetas, algumas delas têm a ver com relações entre Estados, outras com o funcionamento da economia. Esta crise é uma espécie de guerra entre norte e sul. Ou seja, entre os países do norte - e neles incluo basicamente a Alemanha e os países semi-satélites desta do ponto de vista económico como a Áustria, Suécia, Finlândia, Holanda - que têm uma determinada visão da Europa, de a colocar ao serviço dos seus interesses e os países considerados do sul, Portugal, Espanha, Grécia, Itália e a Irlanda (que não sendo do sul para este efeito pode-se juntar a este grupo), que são realidades completamente diferentes e que enfrentam situações muitas vezes desesperadas, do ponto de vista económico e financeiro. Esta clivagem, que é profundíssima, tem a ver com interesses diferentes, e opostos até, e tem provocado a exigência cada vez maior dos países do norte sobre os países do sul em termos de austeridade. Austeridade que evidentemente não é inocente, muito ligada à exigência de privatizações a baixo preço e outras vantagens em que seriam potencialmente beneficiados os países do norte&quot;, explicou Ferreira do Amaral.</br><br>A quarta dimensão referida é a crise social que o professor de Economia disse ter &quot;também já uma longa história devido fundamentalmente aos níveis de desemprego elevados na Europa, e em particular na Zona Euro, mas que agora está a agravar-se, com o aumento brutal das desigualdades, que tendo a ver com o funcionamento desta economia de especulação financeira, tem a ver também com a redução drástica de mecanismos de apoio do chamado Estado social&quot;.</br><br>E Portugal?</br><br>João Frerreira do Amaral considerou que todas estas dimensões da crise se irão agravar e que, em Portugal, excepção feita ao aspecto político, todos os outros existem e com contornos mais graves do que na média da Zona Euro. &quot;A crise económica portuguesa é mais profunda do que a crise económica europeia e tem a ver com o desmantelamento progressivo do aparelho produtivo, principalmente na produção em sectores produtores de bens transacionáveis, ou seja, susceptíveis de troca com o exterior&quot;, referiu, acrescentando: &quot;é difícil não atribuir à adopção de uma moeda forte - e era previsível que isso acontecesse - o efeito de destruição de grande parte da produção de bens transacionáveis. O facto de deixarmos de exportar ou termos de importar mais significa que geramos défices na nossa balança de pagamentos em relação ao exterior e acumulamos a dívida que acumulámos&quot;.</br><br>João Ferreira do Amaral terminou a sua intervenção apresentando possíveis estratégias para a economia portuguesa, considerando que a que faz mais sentido é a de reverter o processo. &quot;Ou seja, se o problema foi que as actividades produtores de bens transacionáveis perderam peso em relação às outras de uma forma que tornou a estrutura produtiva portuguesa insustentável, então o que há a fazer é reverter esse processo e tentar repor de novo as actividades da agricultura, da indústria, do sector dos serviços que são susceptíveis de exportação ou de substituição de importações com uma dimensão suficiente para sustentar a economia, isto é, para evitar que se gerem défices externos insustentáveis&quot;.</br><br>&quot;Até há um ano e pouco, admitia que isso fosse possível sem se sair da Zona Euro, com uma política focalizada na produção de bens transacionáveis, de apoios selectivos na política fiscal e no financiamento, de apoio ao empregos nos sectores da agricultura, da indústria, etc. Por isso é que tenho defendido que provavelmente a nossa única solução será a saída da Zona Euro de uma forma que seja controlada e negociada, evitando ser empurrado para fora da Zona Euro, o que provavelmente sucederá à Grécia e se suceder a esta haverá grandes chances de suceder a Portugal. Isso teria uma vantagem adicional em termos políticos que nos deixaria mais livres da pressão alemã, em termos nomeadamente da condenação à austeridade permanente. Claro que não é fácil, nada agora é fácil, simplesmente entre uma estratégia que não resolve os problemas e que vai aprofundando a crise social e as condições de vida e uma estratégia que, embora momentaneamente possa ser difícil, mas dá alguma segurança em termos de crescimento económico, penso que não há que hesitar, mesmo que isso afecte as nossas rotinas. Sem uma ruptura desse tipo, neste momento, o País, digo-o com pena, não terá grande futuro&quot;.</br><br><b><i>Ana Goulart</i></b></br><br><b><i>Retirado daqui: </i></b><a href=&quot;http://searanova.publ.pt/pt/1719/90anosSearaNova/314/Confer%C3%AAncia-Leituras-da-Crise.htm&quot;>http://searanova.publ.pt/pt/1719/90anosSearaNova/314/Confer%C3%AAncia-Leituras-da-Crise.htm</a></br></br></br></br>]]></description></item><item><title>O que quer dizer Mário Soares? por Viriato Soromenho-Marques in &quot;DN&quot;</title><link>http://www.pnetcronicas.pt/cronica.asp?id=5080</link><description><![CDATA[<br>É preciso compreender o dr. Mário Soares. Ele é o último estadista sobrevivente no panorama português. Ele tem a qualidade essencial dos estadistas. O olfato apurado para o perigo. Comparado com ele, quase toda a paisagem atual, partidária e governativa, é composta por iniciados e figuras que nunca passarão da segunda linha. O que Mário Soares quer dizer, quando afirma que o PS deve romper com a troika, não é que o PS deve ir para a rua fazer barricadas, ou assumir uma atitude destrutiva no Parlamento. O que quer dizer é que o PS deve lutar contra a lógica do memorando de entendimento. E essa lógica assenta na ideia falsa de que os países intervencionados são os únicos responsáveis pela situação a que chegaram, e que a austeridade é não só a solução económica mas o indispensável castigo político de povos inteiros que resolveram &quot;viver acima das suas posses&quot;. Soares tem dito, e bem, que a crise é europeia. </br><br>Que a moeda única, sem o suporte de um orçamento e de um governo federais, acaba por ser uma prisão dos países menos competitivos. O PS deve fazer oposição ao Governo português no palco europeu, usando a Internacional Socialista e o Parlamento Europeu. As manifestações não deveriam ser no Rossio, mas no Campo dos Mártires da Pátria, em frente da embaixada alemã, o país que vai perder ou salvar a UE. Só não ouvi ainda dizer a Soares, com pena minha, que o PS tem de enterrar definitivamente o cadáver do socratismo. Sem isso, o PS não reconquistará o respeito dos portugueses.</br><br>Veio daqui: <a href=&quot;http://www.dn.pt/inicio/opiniao/interior.aspx?content_id=2506579&seccao=Viriato+Soromenho+Marques&tag=Opini%E3o+-+Em+Foco&quot;>http://www.dn.pt/inicio/opiniao/interior.aspx?content_id=2506579&seccao=Viriato+Soromenho+Marques&tag=Opini%E3o+-+Em+Foco</a></br>]]></description></item><item><title>Discurso de Helmut Schmidt no Congresso do SPD, 4 de Dezembro de 2011, Berlim</title><link>http://www.pnetcronicas.pt/cronica.asp?id=4770</link><description><![CDATA[<img src=http://www.pnetcronicas.pt/imagens/2011128114242_28.JPG border=0><br/><br>Queridos Amigos, minhas Senhoras e meus Senhores!<br /><br /><br />Deixai-me começar com uma nota pessoal. Quando o Sigmar Gabriel, o Frank-Walter Steinmeier e o meu Partido me pediram mais uma vez uma contribuição, gostei de recordar como há 65 anos eu e a Locki, de joelhos no chão, pintavamos cartazes para o SPD em Hamburgo-Neugraben. Na verdade tenho de confessar desde já: no que diz respeito a toda a política partidária, já estou para além do Bem e do Mal, por causa da minha idade. Há muito que para mim, em primeiro e em segundo lugar, se encontram as tarefas e papel da nossa nação no indispensável âmbito união europeia.<br />Simultaneamente estou satisfeito por poder partilhar esta tribuna como o nosso vizinho norueguês Jens Stoltenberg, que no centro de uma profunda infelicidade da sua nação nos deu a nós e a todos os europeus um exemplo a seguir de direção liberal e democrática de um estado de direito.<br /><br /><br />Enquanto entretanto homem já muito velho, penso naturalmente em longos períodos temporais – quer para trás na História, quer para a frente na direção do desejado e pretendido futuro. Contudo, não pude dar há alguns dias uma resposta clara a uma pergunta muito simples. Wolfgang Thierse perguntara-me: «Quando será a Alemanha, finalmente, um país normal?» E eu respondi: num futuro próximo a Alemanha não será um país «normal». Já que contra isso está a nossa carga histórica enorme mas única. E além disso está contra isso a nossa posição central preponderante, demográfica e economicamente, no centro do nosso bastante pequeno continente mas organizado em múltiplos estados-nação. Com isto já estou no centro do complexo tema do meu discurso: a Alemanha na Europa, com a Europa e pela Europa.<br /><br /><br /><b>Razões e origens da integração europeia</b><br /><br /><b><br /></b>Apesar de em alguns poucos dos cerca de 40 Estados europeus a consciência de ser um nação se ter desenvolvido tardiamente – assim em Itália, na Grécia e na Alemanha – sempre houve e em todo o lado guerras sangrentas. Pode-se compreender esta história europeia – observada da Europa Central – pura sequência de lutas entre a periferia e o centro e vice-versa. Sempre de novo o centro se manteve o campo de batalha decisivo.<b>Quando os governantes, os estados ou os povos no centro da Europa foram fracos, então os vizinhos da periferia avançaram para o centro.</b> <b>A maior destruição e as relativamente elevadas baixas humanas aconteceram na primeira guerra dos 30 anos entre 1618 e 1648</b>, que se desenrolou fundamentalmente em solo alemão. A Alemanha era, nessa época, simplesmente um conceito geográfico, definido de forma desfocada só pelo espaço da língua alemã. Mais tarde vieram os franceses, sob Luís XIV e de novo sob Napoleão. Os suecos não vieram uma segunda vez; mas sim diversas vezes os ingleses e os russos, a última vez com Stáline.<b>Mas quando as dinastias ou os Estados eram foram fortes no centro da Europa – ou quando se sentiram fortes! – então atacaram a periferia.</b> <b>Isto</b><b> já é válido para as cruzadas, que foram simultaneamente cruzadas de conquista não só na direção da Ásia Menor e Jerusalém</b>, mas também na direção da Prússia Oriental e na de todos os três estados bálticos atuais. Na idade moderna é válido para as guerras contra Napoleão e é válido para as três guerras de Bismarck em 1864, 1866 e 1870/71.<br /><br /><b>O mesmo é válido principalmente para a segunda guerra dos 30 anos de 1914 a 1945.</b> É especialmente válido para os avanços de Hitler até ao Cabo Norte, até ao Cáucaso, até à ilha grega de Creta, até ao sul da França e até mesmo a Tobruk, perto da fronteira líbio-egípcia. A catástrofe europeia, provocada pela Alemanha, incluiu a catástrofe dos judeus europeus e a catástrofe do estado nacional alemão.Mas antes os polacos, as nações bálticas, os checos, os eslovacos, os austríacos, os húngaros, os eslovenos, os croatas tinham partilhado o destino dos alemães na medida em que todos eles, desde há séculos, tinham sofrido sob a sua posição geopolítica central neste pequeno continente europeu. <b>Ou dito de outra forma: diversas vezes, nós, alemães, fizemos sofrer os outros sob a nossa central posição de poder.</b>Hoje em dia, as reivindicações territoriais conflituais, os conflitos linguísticos e fronteiriços, que ainda na primeira metade do século XX desempenharam um papel importante na consciência das nações, tornaram-se de facto insignificantes, pelo menos para nós alemães.<b>Enquanto na opinião pública e na opinião publicada nas nações europeias o conhecimento e a lembrança das guerras da Idade Média se encontram amplamente esquecidos, a lembrança de ambas as guerras do século XX e a ocupação alemã desempenham todavia ainda um papel latente dominante.</b><b>Penso ser para nós alemães decisivo que quase todos os nossos vizinhos – e para além disso quase todos os judeus no mundo inteiro – se recordem do holocausto e das infâmias que aconteceram durante a ocupação alemã nos países da periferia</b>. Não está suficientemente claro para nós alemães que provavelmente entre quase todos os nossos vizinhos, ainda por muitas gerações, se mantém uma desconfiança contra os alemães.<b>Também as gerações alemãs posteriores têm de viver com este peso histórico</b>. E as atuais não devem esquecer: foi a desconfiança com um futuro desenvolvimento da Alemanha que justificou o início da integração europeia em 1950.<br /><br /><b>Em 1946, Churchill, no seu grande discurso em Zurique, tinha duas razões para apelar aos franceses para se entenderem com os alemães e construírem com ele os Estados Unidos da Europa</b>: em primeiro lugar a defesa conjunta perante a União Soviética, que parecia ameaçadora,<b> mas em segundo a integração da Alemanha numa aliança ocidental alargada. Porque Churchill previa perspicazmente a recuperação económica da Alemanha.</b><b>Quando em 1950, quatro anos depois do discurso de Churchill, Robert Schuman e Jean Monnet apresentaram o plano Schuman para a integração da indústria pesada europeia</b>, a razão foi a mesma, a razão da integração alemã. Charles de Gaulle, que dez anos mais tarde propôs a Konrad Adenauer a reconciliação, agiu pelo mesmo motivo.<b>Tudo isto aconteceu na perspetiva realista de um possível desenvolvimento futuro do poder alemão. Não foi o idealismo de Victor Hugo, que em 1849 apelou à união da Europa, nem nenhum idealismo esteve em 1950/52 no início da integração europeia então limitada à Europa Ocidental.</b> <br /><br />Os estadistas dessa época na Europa e na América (nomeio George Marshall, Eisenhower, também Kennedy, mas principalmente Churchill, Jean Monnet, Adenauer e de Gaulle ou também Gasperi e Henri Spaak) não agiram de forma nenhuma por idealismo europeu, mas sim a partir do conhecimento da história europeia até à data. <b>Agiram no juízo realista da necessidade de impedir uma continuação da luta entre a periferia e o centro alemão. Quem ainda não entendeu este motivo original da integração europeia, de que continua a ser um elemento fundamental, quem ainda não entendeu isto falta-lhe a condição indispensável para solucionar a presente crise altamente precária da Europa.</b>Quanto mais, durante os anos 60, 70 e 80, a então República Federal ganhava em peso económico, militar e político, mais a integração europeia se tornava aos olhos dos governantes europeus o seguro contra a de novo possível tentação de poder alemã. <br /><br /><b>A resistência inicial de Margaret Tatcher ou de Miterrand ou de Andreotti em 1989/90 contra a unificação dos dois estados alemães do pós-guerra estava claramente fundada na preocupação de uma Alemanha poderosa no centro deste pequeno continente europeu.</b>Gostaria aqui de fazer um pequeno excurso pessoal. Ouvi Jean Monnet quando participei no seu comité «Pour les États-Unis d’Europe». Foi em 1955.<b> Para mim Jean Monnet é um dos franceses mais perspicazes que eu conheci na minha vida em questões de integração, também por causa do seu conceito de avançar passo a passo na integração europeia.</b><b>Desde aí que, por compreender o interesse estratégico da nação alemã, me tornei e me mantive um partidário da integração europeia, um partidário da integração da Alemanha, não por idealismo. </b><br /><br />(Isto levou-me a uma controvérsia com Kurt Schumacher, o por mim muito respeitado presidente do meu partido, para ele insignificante, para mim com 30 anos, regressado da guerra, muito séria.) Levou-me a concordar, nos anos 50, com os planos do então Ministro dos Negócios Estrangeiros polaco Rapacki. No início dos anos 60 escrevi então um livro contra a estratégia oficial ocidental da retaliação nuclear, com que a NATO, na qual ontem como hoje nos encontrávamos integrados, ameaçava a poderosa União Soviética.<br /><br /><br /><b>A União Europeia é necessária</b><br /><br />De Gaulle e Pompidou continuaram nos anos 60 e início dos anos 70 a integração europeia, para integrar a Alemanha – mas também não queriam de maneira nenhuma integrar o seu próprio estado. Depois disso, o bom entendimento entre Giscard d’Estaing e mim, levou a um período de cooperação franco-alemão e à continuação da integração europeia, um período que depois da primavera de 1990 continuou com êxito entre Miterrand e Kohl. Ao mesmo tempo desde 1950/52 que a comunidade europeia cresceu, até 1991, passo a passo de seis para doze membros.Graças ao amplo trabalho preparatório de Jacques Delors (na altura presidente da Comissão Europeia), Miterrand e Kohl acordaram, em 1991, em Maastricht a moeda comum – o euro – que se tornou realidade dez anos mais tarde, em 2001. <br /><br /><b>De novo na sua origem a preocupação francesa de uma Alemanha demasiado poderosa, mais exatamente de um marco demasiado poderoso.</b>Entretanto o euro tornou-se na segunda moeda mais importante da economia mundial. <b>Esta moeda europeia é até, quer interna, quer externamente mais estável do que o dólar americano e mais estável do que o marco foi nos seus últimos dez anos. Toda a conversa sobre uma suposta «crise do euro» é conversa fiada leviana dos media, de jornalistas e de políticos.</b><b>Mas desde Maastricht, desde 1991/92, que o mundo mudou imensamente. Assistimos à libertação das nações do leste europeu e à implosão da União Soviética. Assistimos à ascensão fenomenal da China, da Índia, do Brasil e outros «estados emergentes», que antigamente chamávamos «Terceiro Mundo».</b> <br /><br />Simultaneamente, as economias reais de grande parte do mundo «globalizaram-se», em alemão: quase todos os estados no mundo dependem uns dos outros. Principalmente, os actores nos mercados financeiros globalizados apropriaram-se de um poder, por enquanto, totalmente sem controlo. <br /><br /><b>Mas paralelamente, quase sem se dar por isso, a humanidade multiplicou-se de forma explosiva atingindo os 7 mil milhões. Quando nasci eram cerca de 2 mil milhões</b>. Todas estas enormes mudanças tiveram consequências tremendas nos povos europeus, nos seus estados, no seu bem-estar!<b>Por outro lado, todas as nações europeias envelhecem e por todo o lado desce o número de cidadãos europeus. Em meados do século XXI seremos provavelmente 9 mil milhões de pessoas a viver na Terra, enquanto todas as nações europeias não ultrapassarão os 7%. 7% de 9 mil milhões</b>. Até <b>1950, os europeus representaram, durante mais de dois séculos, mais de 20% da população mundial.</b> Mas desde há 50 anos que nós europeus diminuímos – não só em números absolutos, mas principalmente em relação à Ásia, África e América Latina. Da mesma forma desce a parte dos europeus no produto social global, isto é na criação de riqueza de toda a humanidade. Até 2050 descerá até aos 10%; em 1950 ainda representava 30%.<b>Cada uma das nações europeias, em 2050, representará já só uma parte de um 1% da população mundial</b>. Quer dizer: <b>se queremos ter a esperança de nós europeus termos importância no mundo, então só a teremos em conjunto. Porque enquanto Estados separados – seja a França, Itália ou Alemanha ou Polónia, Holanda ou Dinamarca ou Grécia – só nos poderão contar em milésimos e não mais em números percentuais.</b><b>Daqui resulta o interesse estratégico a longo prazo dos estados europeus na sua cooperação integradora</b>. <br /><br />Este interesse estratégico na integração europeia aumentará em importância cada vez mais. Até agora ainda não está amplamente consciencializado pelas nações. Também os respetivos governos não as consciencializam.No caso, porém de a União Europeia no decorrer do próximo decénio não conseguir – mesmo que limitada – uma capacidade conjunta de atuação, não é de excluir uma marginalização auto-provocada dos estados e da civilização europeia. Do mesmo modo não se pode excluir, num caso destes, o ressuscitar de lutas concorrenciais e de prestígio entre os estados europeus. Numa situação destas a integração da Alemanha não poderia funcionar. <br /><br /><b>O velho jogo entre centro e periferia podia de novo tornar-se realidade.</b><br /><br />O processo mundial de esclarecimento, de propagação dos direitos das pessoas e da sua dignidade, o direito constitucional e a democratização não receberia mais nenhum impulso eficaz da Europa. Nesta perspetiva, a comunidade europeia torna-se uma necessidade vital para os estados nacionais do nosso velho continente. <b>Esta necessidade ultrapassa as motivações de Churchill e de Gaulle. Também ultrapassa as motivações de Monnet e os de Adenauer. E hoje também engloba as motivações de Ernst Reuter, Fitz Ehler, Willy Brandt e também Helmut Kohl. 6 traduçãopg</b>Acrescento: certamente que também se trata ainda e sempre da integração da Alemanha. Por isso, nós alemães temos de ganhar clareza sobre a nossa tarefa, o nosso papel no contexto da integração europeia.<br /><br /><br /><b>A Alemanha necessita de constância e fiabilidade</b><br /><br /><b>Se no final de 2011 olharmos para a Alemanha com os olhos dos nossos vizinhos mais próximos e mais distantes, desde há um decénio que a Alemanha provoca inquietação – recentemente também preocupação política</b>. Nos últimos anos surgiram dúvidas consideráveis sobre a constância da política alemã. A confiança na garantia da política alemã está abalada.<b>Estas dúvidas e preocupações assentam também nos erros de política externa dos nossos políticos e governos. Por outro lado baseiam-se no, para o mundo inesperado, poder económico da República Federal unificada</b>.<br /><br /> A nossa economia tornou-se – iniciando nos anos 70, nessa época ainda dividida – na maior da Europa. Tecnológica, financeira e socialmente é hoje uma das economias mais eficientes do mundo. O nosso poder económico e a nossa, em comparação muito estável, paz social desde há decénios também provocaram inveja – tanto mais que a nossa taxa de desemprego e a nossa dívida se encontram dentro da normalidade internacional.No entanto, não nos é suficientemente claro que a nossa economia está, quer profundamente integrada no mercado comum europeu, quer em grande medida globalizada e assim dependente da conjuntura mundial. Iremos assim assistir como, no próximo ano, as nossas exportações não aumentarão significativamente.<br /><br /><b>Mas simultaneamente desenvolveu-se um grave erro, nomeadamente os enormes excedentes da nossa balança comercial. Desde há anos que os excedentes representam 5% do nosso PIB</b>. São comparáveis aos excedentes da China. Isto não nos é completamente claro porque os excedentes não se contabilizam em marcos, mas em euros. Mas é necessário que os nossos políticos consciencializem esta circunstância.<b>Porque todos os nossos excedentes são, na realidade, os défices dos outros. As exigências que temos aos outros, são as suas dívidas. Trata-se de uma violação irritante do por nós elevado a ideal legal do «equilíbrio da economia externa». Esta violação tem de inquietar os nossos parceiros. E quando ultimamente aparecem vozes estrangeiras, na maioria dos casos vozes americanas – entretanto vêm de muitos lados – que exigem da Alemanha um papel de condução europeia, então isso desperta nos nossos vizinhos mais desconfiança. E acorda más recordações.</b><b>Esta evolução económica e a simultânea crise da capacidade de ação dos órgãos da união europeia empurraram de novo a Alemanha para um papel central</b>. A chanceler aceitou solícita este papel juntamente com o presidente francês. Mas há, de novo, em muitas capitais europeias e também em muitos media uma crescente preocupação com o domínio alemão. Desta vez não se trata de uma potência militar e política central, mas sim de um potente centro económico!<br /><br /><b>Aqui é necessário uma séria, cuidadosamente equilibrada advertência aos políticos alemães, aos media e à nossa opinião pública.</b><br /><b>Se nós alemães nos deixássemos seduzir, baseados no nosso poder económico, por reivindicar um papel político dirigente na Europa ou pelo menos desempenhar o papel de primus inter pares, então um número cada vez maior dos nossos vizinhos resistiria eficazmente.</b> <b>A preocupação da periferia europeia com um centro da Europa demasiado forte regressaria rapidamente. As consequências prováveis de uma tal evolução seriam atrofiadoras para a UE. E a Alemanha cairia no isolamento</b>.<br /><br /><br /><b>A República Federal da Alemanha, muito grande e muito eficaz, precisa – também para se defender de si própria! – de se encaixar na integração europeia</b>. <br /><br />Por isso desde os tempos de Helmut Kohl, desde 1992 que o artº 23º da Constituição nos obriga a colaborar «... no desenvolvimento da União Europeia». Este artº 23º obriga-nos a esta cooperação também no «princípio da subsidiariedade...». A crise atual da capacidade de ação dos órgãos da UE não muda em nada estes princípios.A nossa posição geopolítica central, mais o papel infeliz no decorrer da história europeia até meados do século XX, mais a nossa capacidade produtiva atual, tudo isto exige de todos os governos alemães uma grande dose de compreensão dos interesses dos nossos parceiros na EU. E a nossa prestabilidade é indispensável.<br /><br /><b>Nós, alemães, também não conseguimos sozinhos a grande reconstrução e capacidade de produção nos últimos 6 decénios. Elas não teriam sido possíveis sem a ajuda das potências vencedoras ocidentais, sem a nossa inclusão na comunidade europeia e na aliança atlântica, sem a ajuda dos nossos vizinhos, sem a mudança política na Europa de leste e sem o fim da ditadura comunista. Nós, alemães, temos razões para estarmos gratos. E simultaneamente temos a obrigação de nos mostramos dignos da solidariedade através da solidariedade com os nossos vizinhos!</b><br /><b>Pelo contrário, ambicionar um papel próprio na política mundial e ambicionar prestígio político mundial seria bastante inútil, provavelmente até prejudicial. Em todo o caso, mantém-se indispensável a estreita cooperação com a França e a Polónia, com todos os nossos vizinhos e parceiros na Europa</b>.<br /><br />É minha convicção que reside no interesse estratégico cardinal da Alemanha a longo prazo, não se isolar e não se deixar isolar. Um isolamento no espaço do ocidente seria perigoso. Um isolamento no espaço da EU ou da zona euro seria ainda mais perigoso. Para mim, este interesse da Alemanha ocupa um lugar inequivocamente mais importante do que qualquer interesse tático de todos os partidos políticos. <br /><br /><b>Os políticos e os media alemães têm, com mil demónios, a obrigação e o dever de defender este conhecimento de forma duradoura na opinião pública</b>.<b>Mas quando alguém dá a entender que hoje e no futuro falar-se-á alemão na Europa; quando um ministro alemão dos negócios estrangeiros pensa que aparições adequadas às televisões em Tripoli, Cairo ou Cabul são mais importantes do que contactos políticos com Lisboa, Madrid, Varsóvia ou Praga, Dublin, Haia Copenhaga ou Helsínquia; quando um outro acha ter de se defender de uma «União de transferência» - então tudo isto é mera fanfarronice prejudicial.</b><b>Na verdade, a Alemanha foi durante longos decénios pagador líquido! Podíamos fazê-lo e fizemo-lo desde Adenauer. E naturalmente que Grécia, Portugal ou Irlanda forma sempre recebedores líquidos.</b><b>Esta solidariedade talvez não seja hoje suficientemente clara para a classe política alemã. Mas até agora foi evidente. Também evidente – e para além disso desde Lisboa incluído no tratado – o princípio da subsidiariedade: aquilo que um estado não pode ou não consegue resolver, tem de ser assumido pela UE.</b><b>Desde o plano Schuman que Konrad Adenauer aceitou, por instinto político acertado, a oferta francesa contra a resistência quer de Kurt Schumacher, quer de Ludwig Erhard.</b> <br /><br />Adenauer avaliou corretamente o interesse estratégico de longo prazo da Alemanha – apesar da divisão da Alemanha! Todos os sucessores – assim também Brandt, Schmidt, Kohl e Schröder – prosseguiram a política de integração de Adenauer.Todas as táticas da ordem do dia, da política interna ou da política externa nunca questionaram o interesse estratégico alemão de longo prazo. Por isso todos os nossos vizinhos e parceiros puderam confiar, durante decénios, na constância da política europeia alemã – e na verdade independentemente de todas as mudanças de governo. Esta continuidade mantém-se conveniente também no futuro.<br /><br /><br /><b>A situação atual da EU exige energia</b><b>Contribuições conceptuais alemãs foram sempre naturais. Também se deve manter assim no futuro. No entanto não devíamos antecipar o futuro longínquo. Mudanças no tratado, mesmo assim, só poderiam corrigir em parte erros e omissões na realidade criada há vinte anos em Maastricht.</b> <b>As propostas atuais para as mudanças no Tratado de Lisboa em vigor não me parecem muito úteis para um futuro próximo, se nos lembrarmos das dificuldades até agora com todas as diversas ratificações nacionais, ou nos referendos com resultados negativos.</b><br /><br /><b><br />Concordo por isso com Napolitano, o Presidente italiano, quando, num notável discurso em Outubro exigiu que nós hoje nos temos de concentrar no que é necessário hoje fazer. E que para isso temos de esgotar as possibilidades que os tratados em vigor nos proporcionam – especialmente o reforço das regras orçamentais e da política económica na zona Euro.</b><br /><b>A atual crise da capacidade de ação dos órgãos da EU criados em Lisboa, não pode continuar! Com a exceção do BCE, todos os órgãos – Parlamento Europeu, Conselho Europeu, Comissão Europeia e Conselho de Ministros – todos eles, desde a superação da aguda crise dos bancos de 2008 e especialmente da consequente crise da dívida soberana, contribuíram pouco para uma ajuda eficaz.</b><b>Não há nenhuma receita para a superação da atual crise de liderança na EU. Serão necessários vários passos, alguns simultâneos, outros consecutivos. Não serão só necessárias, capacidade de análise e energia, mas também paciência! </b><br /><br />Nisso as contribuições concepcionais alemãs não se podem reduzir a chavões. Não devem ser apresentadas na praça televisiva, mas em vez disso confidencialmente nos grémios dos órgãos da EU. <b>Os alemães não devem apresentar como exemplo ou medida de toda as coisas aos nossos parceiros europeus, nem a nossa ordem económica ou social, nem o nosso sistema federal, nem a nossa política constitucional orçamental ou financeira, mas sim simplesmente enquanto exemplo entre várias outras possibilidades.</b><br />Todos nós em conjunto somos responsáveis pelos efeitos futuros na Europa por tudo o que hoje a Alemanha faz ou deixa de fazer. Precisamos de razoabilidade europeia. Mas não precisamos só de razoabilidade, mas também de um coração compreensivo com os nossos vizinhos e parceiros.<br /><br /><br /><b>Concordo num ponto importante com Jürgen Habermas, que recentemente referiu que – e cito - «...na realidade assistimos agora pela primeira vez na história da EU a uma desmontagem da Democracia!!» (fim da citação).</b> <b>De facto: não só o Conselho Europeu, incluindo o seu Presidente, também a Comissão Europeia, incluindo o seu Presidente e os diversos Conselhos de Ministros e toda a burocracia de Bruxelas marginalizaram em conjunto o princípio democrático</b>! Eu caí no erro, na época em que introduzimos a eleição para o Parlamento europeu, de pensar que o Parlamento conseguiria o seu peso próprio. Na verdade até agora não teve nenhuma influência reconhecível na superação da crise, já que as suas discussões e resoluções não têm até agora nenhum resultado público.<b>Por isso quero apelar a Martin Schulz: é tempo de o senhor e os seus colegas democratas-cristãos, socialistas, liberais e verdes, em conjunto mas de forma drástica, conseguirem ser ouvidos publicamente</b>. Provavelmente o campo da totalmente insuficiente fiscalização sobre os bancos, bolsas e os seus instrumentos financeiros, desde o G20 em 2008, adequa-se na perfeição para um tal levantamento do Parlamento Europeu.<br /><br /> <b>Realmente alguns milhares de brookers nos EUA e na Europa, mais algumas agências de notação tornaram reféns os governos politicamente responsáveis da </b>Europa.<br /><br /> Não é de esperar que Barack Obama possa vir fazer muito contra isso. O mesmo é válido para o governo britânico.<b>Realmente, os governos do mundo inteiro salvaram, na verdade, os bancos em 2008/09 com as garantias e o dinheiro dos impostos dos cidadãos.</b> Mas já em 2010, esta manada de executivos financeiros, altamente inteligentes e simultaneamente propensos à psicose, jogava, de novo, o seu velho jogo do lucro e das bonificações. <b>Um jogo de azar e em prejuízo dos que não são jogadores, que eu e Marion Dönhoff já nos anos 90 criticámos como muito perigoso.</b><br /><br /><b><br />Já que ninguém quer agir, então os participantes da zona Euro têm de o fazer. Para isso o caminho pode ser o do artº 20º do Tratado de Lisboa em vigor. Aí prevê-se expressamente, que Estados-membros sós ou em conjunto</b> <b>«estabeleçam entre eles uma cooperação reforçada».</b> <br /><br />Em todo o caso, os Estados membros da zona euro deveriam impor uma regulação enérgica do seu mercado financeiro comum. Desde a separação entre por um lado os normais bancos de negócios e por outro, os bancos de investimento e bancos sombra até à proibição da venda de derivados, desde que não autorizados pela fiscalização oficial da Bolsa - até à restrição eficaz dos negócios das, por enquanto, não fiscalizadas agências de notação no espaço da zona euro. Não quero, minhas senhoras e meus senhores, aborrecê-los com mais detalhes.<br /><br /><b>Naturalmente que o globalizado lobby dos banqueiros iria empregar todos os meios contra. Já conseguiu até agora impedir toda a regulamentação eficaz. Possibilitou para si mesmo que a manada dos seus brookers tenha colocado os governos europeus na situação difícil de ter de inventar sempre novos «fundos de estabilização» e alargá-los através de «alavancas». É tempo de se resistir</b>. Se os europeus conseguirem ter a coragem e a força para uma regulação eficaz dos mercados financeiros, então podemos no médio prazo tornarmo-nos numa zona de estabilidade. Mas se falharmos, então o peso da Europa continuará a diminuir – e o mundo evolui na direção de um Duovirato entre Washington e Pequim.<br /><br /><b>Seguramente que para o futuro próximo da zona euro todos os passos anunciados e pensados até agora são necessários.</b> <br /><br />Deles fazem parte os fundos de estabilização, o limite máximo de endividamento e o seu controlo, uma política económica e fiscal comum, deles fazem parte uma série de reformas nacionais na política fiscal, de despesa, na política social e na política laboral. Mas forçosamente, também uma dívida comum será inevitável. Nós, alemães, não nos devemos recusar por razões nacionais e egoístas.<br /><br /><br /><b>Mas de forma nenhuma devemos propagar para toda a Europa uma política extrema de deflação</b>. <br /><br />Mais razão tem Jacques Delors quando exige, em conjunto com o saneamento do orçamento, a introdução e financiamento de projetos que fomentem o crescimento. Sem crescimento, sem novos postos de trabalho, nenhum Estado pode sanear o seu orçamento. Quem acredita que a Europa pode, só através 11 traduçãopg<br />de poupanças orçamentais, recompor-se faça o favor de estudar o resultado fatal da política de deflação de Heinrich Brüning em 1930/32. Provocou uma depressão e um desemprego de uma tal dimensão que deu início à queda da primeira democracia alemã.<br />Aos meus amigos<br /><br /><br /><b>Terminemos, queridos amigos! No fundo, não é preciso pregar solidariedade internacional aos sociais-democratas. A social-democracia é desde há século e meio internacionalista – em muito maior medida do que gerações de liberais, de conservadores ou de nacionalistas alemães.</b> <b>Nós, sociais-democratas, não abdicámos da liberdade e da dignidade de cada ser humano. Simultaneamente não abdicámos da democracia representativa, da democracia parlamentar. Estes princípios obrigam-nos hoje à solidariedade europeia.</b><b>De certo que a Europa, também no século XXI, será constituída por estados nacionais, cada um com a sua língua e a sua própria história. Por isso a Europa não se tornará de certeza num Estado Federal. Mas a UE também não pode degenerar numa mera aliança de estados.</b> <br /><br />A UE tem de se manter uma aliança dinâmica, em evolução. Não há em toda a história da humanidade nenhum exemplo. Nós, social-democratas, temos de contribuir para a evolução passo a passo desta aliança.<b>Quanto mais envelhecemos, mais pensamos em períodos longos. Também enquanto homem velho me mantenho fiel aos três princípios do Programa de Godesberg</b>: <b>liberdade, justiça, solidariedade</b>. Penso, a propósito, que hoje a justiça exige antes de mais igualdade de oportunidades para as crianças, para estudantes e jovens.<br /><br /><b>Quando olho para trás, para 1945 ou posso olhar para 1933 – tinha acabado de fazer 14 anos – o progresso que fizemos até hoje parece-me quase inacreditável. O progresso que os europeus alcançaram desde o Plano Marshall, 1948, desde o Plano Schuman, 1950, graças a Lech Walesa e ao Solidarnosz, graças a Vaclav Havel e à Charta 77, que agradecemos àqueles alemães em Leipzig e Berlim Oriental desde a grande mudança em 1989/91.</b><br /><b>Não podíamos imaginar nem em 1918, nem em 1933, nem em 1945 que hoje uma grande parte da Europa se regozija pelos Direitos Humanos e pela paz. Por isso mesmo trabalhemos e lutemos para que a UE, historicamente única, saia firme e autoconfiante da sua presente fraqueza.</b><br /><br /><b><br /></b>© SPD 2011<br /><br /></br>]]></description></item><item><title>Morreu Bernardo Sassetti, o músico que buscava o silêncio</title><link>http://www.pnetcronicas.pt/cronica.asp?id=5079</link><description><![CDATA[<img src=http://www.pnetcronicas.pt/imagens/201251118644_28.JPG border=0><br/><br><b> O pianista e compositor morreu aos 41 anos. Segundo a família, que confirmou a morte hoje, Bernardo Sassetti estava a fotografar numa falésia, no Guincho, e caiu.</b> </br><br>--------------</br><br>O comandante Nuno Mónica de Oliveira, da Capitania do Porto de Cascais, adiantou ao PÚBLICO que às 15h15 de quinta-feira receberam uma chamada para socorrerem “um indivíduo caído numas pedras a norte da Praia do Abano”. O responsável sublinhou que durante toda a intervenção da capitania não foi possível identificar o corpo como pertencendo a Bernardo Sassetti e que foi ainda por reconhecer que foi transferido para a morgue da Guia.<br /><br />Nuno Mónica de Oliveira explicou que o corpo terá caído de uma altura de cerca de 20 metros – numa zona “propícia a passeios e contemplação da paisagem, mas ainda assim perigosa” – e que se encontrava “numa zona de difícil acesso, o que dificultou as operações”, acabando o resgate por se prolongar até às 18h30. O comandante disse, também, que o resgate só foi possível com o recurso a equipamentos e técnicas de grande ângulo dos Bombeiros de Alcabideche. O PÚBLICO contactou esta corporação, sem sucesso.<br /><br />Haverá duas cerimónias fúnebres, uma privada e outra pública, mas as datas e os locais ainda não foram confirmados.<br /><br />Bernardo Sassetti nasceu a 24 de Junho de 1970, filho mais novo de Sidónio de Freitas Branco Pais e de Maria de Lourdes da Costa de Sousa de Macedo Sassetti. Era bisneto de Sidónio Pais. Iniciou os estudos de piano clássico aos nove anos, tendo frequentando também a Academia dos Amadores de Música. Em 1987 iniciou-se profissionalmente no jazz, estudando com músicos como Zé Eduardo, Horace Parlan e Sir Roland Hanna, e tocando com o quarteto de Carlos Martins e o Moreiras Jazztet. <br /><br />Nos primeiros quinze anos de carreira apresentou-se por todo o mundo, ao lado de músicos como Al Grey. Frank Lacy ou Andy Sheppard, Paquito D’ Rivera ou Benny Golson. Em 1997, por exemplo, ao lado de Guy Barker, gravou “What love is”, acompanhado pela Orquestra Filarmónica de Londres, que tinha como convidado o cantor Sting. <br /><br />Como compositor destacam-se no seu percurso obras como “Ecos de África”, “Sons do Brasil” ou “Entropé”. O seu primeiro trabalho, como líder, foi “Salsetti”, de 1994, que contava com a participação de Paquito D’ Rivera. O segundo álbum, “Mundos”, saiu em 1996. O álbum “Nocturno” de 2002, ou os mais recentes “Indigo” e “Livre”, são outras das suas mais recentes gravações de piano solo para a editora Clean Feed. <br /><br />O cinema, tal como a fotografia, era outra das suas grandes paixões, não surpreendendo que tenha composto muito para cinema. “Alice” de Marco Martins, “A Costa dos Murmúrios” de Margarida Cardoso, “Facas e Anjos” de Eduardo Guedes ou “Maria do Mar” de Leitão Barros foram alguns dos filmes para os quais compôs música. <br /><br />Nos últimos anos apresentou-se em piano solo, ou em trio com Carlos Barreto e Alexandre Frazão. Ao falar sobre o seu trabalho solo, costumava salientar a importância do silêncio, era um músico em busca do silêncio. Em duo tocou com o pianista Mário Laginha, com quem gravou “Mário Laginha / Bernardo Sassetti” e “Grândolas”, naquela que foi uma homenagem a Zeca Afonso e aos 30 anos do 25 de Abril. <br /><br />Mas o piano de Bernardo Sassetti não esteve apenas ao serviço do jazz. Ao longo do seu percurso musical trabalhou com músicos de jazz, do fado, da pop ou do hip-hop. Em 2010, por exemplo, juntou-se a Carlos do Carmo. Os últimos trabalhos de Sassetti foram a participação no disco “Mútuo Consentimento” de Sérgio Godinho e “3 Pianos”, ao lado de Mário Laginha e Pedro Burmester. <br /><br />Era casado com a actriz Beatriz Batarda, de quem tem duas filhas.<br /><br />Em 2007, a cineasta Cláudia Varejão realizou dois vídeos com Bernardo Sassetti, sobre a banda sonora de <i>Alice</i> (Marco Martins, 2005), no Teatro Maria Matos, em Lisboa. Um deles é este, que está disponível, tal como o outro e mais uma dezena de vídeos, no <a href=&quot;http://www.youtube.com/user/bernardosassetti&quot; target=&quot;_blank&quot;>canal do compositor no YouTube</a>. </br><br>---------</br><br>Bernardo Sassetti compôs e interpretou a banda sonora de <a href=&quot;http://jornal.publico.pt/noticia/29-04-2011/arriscar-em-quatro-minutos-21914675.htm&quot; target=&quot;_blank&quot;><i>Uma coisa em forma de assim</i></a>, um espectáculo da Companhia Nacional de Bailado estreado em 2011. Clara Andermatt, Francisco Camacho, Benvindo Fonseca, Rui Lopes Graça, Rui Horta, Paulo Ribeiro, Olga Roriz, Madalena Victorino e Vasco Wellenkamp foram os co-criadores da peça, cujo vídeo<a href=&quot;http://www.youtube.com/user/CNBportugal&quot; target=&quot;_blank&quot;>está também no YouTube</a>.<br /></br><br>-------------</br><br>Retirado daqui: <a href=&quot;http://publico.pt/Cultura/morreu-bernardo-sassetti-1545644?all=1&quot;>http://publico.pt/Cultura/morreu-bernardo-sassetti-1545644?all=1</a></br>]]></description></item><item><title>Banca espanhola: Madrid nacionaliza</title><link>http://www.pnetcronicas.pt/cronica.asp?id=5078</link><description><![CDATA[<img src=http://www.pnetcronicas.pt/imagens/2012511173026_28.JPG border=0><br/><br>Banca espanhola: Madrid nacionaliza11/05/2012</br><br><br /><b>Com 380 mil milhões de activos tóxicos nos seus cofres, a banca espanhola é um gigante com pés de barro, atingido por sucessivas vagas e algumas ‘marés vivas’ provocadas pela crise global e pela bolha imobiliária espanhola. Face ao perigo, Madrid nacionaliza bancos, a Europa põe-se a tremer e os mercados assustam-se…</b></br><br><b><br /></b>Pourquoi les banques espagnoles tétanisent l’Europe<br /> Par Julie de la Brosse - publié le 10/05/2012 à 17:57<br />Madrid vient de nationaliser la quatrième banque du pays, et s’apprête à annoncer une nouvelle réforme de son secteur bancaire. L’occasion de faire le point sur un problème qui fait trembler l’Europe</br><br><br />Veio daqui: <a href=&quot;http://inteligenciaeconomica.com.pt/?p=13096&utm_source=feedburner&utm_medium=email&utm_campaign=Feed%3A+inteligenciaeconomica+%28Intelig%C3%AAncia+Econ%C3%B3mica%29&quot;>http://inteligenciaeconomica.com.pt/?p=13096&utm_source=feedburner&utm_medium=email&utm_campaign=Feed%3A+inteligenciaeconomica+%28Intelig%C3%AAncia+Econ%C3%B3mica%29</a><br /></br>]]></description></item><item><title>«Somos Todos um Bocado Ciganos», de Manuel Jorge Marmelo, já está à venda</title><link>http://www.pnetcronicas.pt/cronica.asp?id=5077</link><description><![CDATA[<img src=http://www.pnetcronicas.pt/imagens/20125111343_28.JPG border=0><br/><br><br>A Quetzal acabou de lançar <i>Somos Todos um Bocado Ciganos</i>, o novo romance de Manuel Jorge Marmelo, escritor e jornalista que já antes publicara obras como <i>O Homem Que Julgou Morrer de Amor</i>, <i>As Mulheres Deviam Vir com Livro de Instruções</i>, <i>O Amor é para os Parvos</i>, <i>A Menina Gigante</i> e <i>Os Fantasmas de Pessoa</i>, entre outros.</br><br><b>Sinopse:</b> «O Grande Circo Romani não é como os outros. Os artistas vivem precariamente em rulotes e desdobram-se em diferentes personagens, como noutro circo qualquer. São palhaços e acrobatas, mágicos e domadores de animais. A coincidência de um brutal acidente e de um crime tenebroso que tem por vítima Pavarotti, o burro cantor, dá início a uma incursão pelas peculiares figuras deste circo familiar e pelas desconcertantes impressões de um adolescente um bocado cigano, e por isso estigmatizado. Ele sonha vir a ter uma mota para fazer o número do poço da morte, espia o corpo nu da trapezista e anseia pela chegada do dia em que será capaz de fazer gemer as mulheres – como um homem a sério.»</br><br>Veio daqui: <a href=&quot;http://portalivros.wordpress.com/2012/05/11/somos-todos-um-bocado-ciganos-de-manuel-jorge-marmelo-ja-esta-a-venda/&quot;>http://portalivros.wordpress.com/2012/05/11/somos-todos-um-bocado-ciganos-de-manuel-jorge-marmelo-ja-esta-a-venda/</a></br></br>]]></description></item><item><title>Hóstia 100-2012</title><link>http://www.pnetcronicas.pt/cronica.asp?id=5076</link><description><![CDATA[Tive uma uma ideia peregrina: não vou a pé a Fátima.]]></description></item><item><title>Hóstia 99-2012</title><link>http://www.pnetcronicas.pt/cronica.asp?id=5075</link><description><![CDATA[Todos os vinhos do Porto são bons mas o Cockburns é o único que é afrodisíaco.]]></description></item><item><title>REORGANIZAÇÃO DO CHMT (Centro Hospitalar do Médio Tejo) LEVA A FECHO DO SERVIÇO DE BIÓPSIAS E DEIXA UTENTES SEM CONSULTAS DE HIV/SIDA</title><link>http://www.pnetcronicas.pt/cronica.asp?id=5074</link><description><![CDATA[<br><br><b>O Bloco de Esquerda (BE) endereçou duas perguntas ao Ministério da Saúde sobre o Centro Hospitalar do Médio Tejo (CHMT). Esta instituição, envolvida numa polémica e noticiada reorganização, prepara-se para fechar o serviço que realiza biópsias mamárias nos hospitais de Torres Novas e em Tomar e deixou de providenciar consultas a mais de 200 portadoras/es de HIV/SIDA.</b></br><br> </br><br>O CHMT terá decidido encerrar os serviços que realizam biópsias mamárias e outros meios complementares de diagnóstico e terapêutica (MCDT) nos Hospitais de Torres Novas e de Tomar. A confirmar-se, este fecho poderá acarretar o despedimento de profissionais e deixa milhares de pessoas sem acompanhamento pelo que urge confirmar este encerramento, os motivos que lhe subjazem e também saber quais as soluções apontadas para o acompanhamento das/os utentes do CHMT.</br><br> </br><br>Por outro lado, o CHMT deixou também de assegurar as consultas às pessoas portadoras de HIV/SIDA no Hospital de Torres Novas obrigando-as a deslocarem-se mais de 40 quilómetros para serem acompanhadas em Santarém o que reduz a adesão à terapêutica podendo por em risco a saúde das/os utentes.</br><br> </br><br>Estão assim à vista os maus resultados da chamada reorganização do CHMT!</br><br> </br><br>Recorde-se que o CHMT é uma Entidade Pública Empresarial (EPE) constituída por três hospitais, sendo eles o Hospital Dr. Manoel Constâncio em Abrantes, o Hospital Nossa Senhora da Graça em Tomar e o Hospital Rainha Santa Isabel em Torres Novas.</br></br>]]></description></item></channel></rss>
